Esta semana, o Conselho da Cidade de Berkeley, na Califórnia, aprovou uma resolução que transfere até 2024 pelo menos 50% do orçamento do município com a aquisição de alimentos de origem animal para alimentos à base de vegetais.
Em longo prazo, o objetivo é ainda maior, ou seja, zerar despesas com produtos de origem animal. A conquista é resultado de uma campanha do grupo de direitos animais Direct Action Everywhere (DxE).
Com o redirecionamento de despesas, refeições veganas serão servidas em eventos públicos, lares de idosos, acampamentos de verão e em prisões, entre outros locais.
A resolução foi acolhida como parte de um esforço para reduzir as emissões de carbono da cidade e como uma reação a práticas cruéis contra animais principalmente no sistema intensivo de produção.
“É um passo muito importante para a cidade como parte de nossos esforços mais amplos em relação ao clima, além de fortalecer a promoção do tratamento humanitário dos animais na cidade de Berkeley”, disse em comunicado o prefeito Jesse Arreguín, de 36 anos.
Segundo o DxE, a intenção era garantir uma transição de 100% até 2024. No entanto, o Conselho entendeu que os funcionários e usuários do serviço público ainda “não estão preparados para essa mudança”.
Segundo Almira Tanner, do DxE, a aprovação da resolução é uma prova de que vale a pena lutar para mudar para melhor a percepção das pessoas sobre questões importantes.
“Essa indústria [de alimentos de origem animal] é imensamente poderosa, mas não é páreo para pessoas comuns e apaixonadas que se unem em uma ação coletiva. Esse é apenas o começo”, garantiu em um comunicado.
A resolução é classificada pelo conselho como uma forma de fazer de Berkeley um exemplo em ações de combate às mudanças climáticas, promoção de justiça ambiental e proteção ao meio ambiente. Além disso, o documento determina que a maioria dos alimentos adquiridos pelo município sejam de origem local, produzidos na cidade.
“Um setor extremamente importante, responsável por cerca de 25% das emissões globais de GEE [gases de efeito estufa] e emissões significativas aqui em Berkeley, é a nossa alimentação. Está claro que o mundo não pode cumprir as metas globais de redução de GEE sem restringir significativamente o consumo de produtos de origem animal. Países com alto consumo de carne, como os Estados Unidos, que consomem 2,6 vezes mais carne do que a média global per capita, devem ajudar a arcar com essa responsabilidade”, consta na resolução.
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