WEST HOLLYWOOD, CA - NOVEMBER 09: Clive Barker signs copies of his new book "Abarat: Absolute Midnight" at Book Soup on November 9, 2011 in West Hollywood, California. (Photo by Gabriel Olsen/FilmMagic)
No dia 23 de fevereiro de 2012, o escritor e cineasta inglês Clive Barker, autor de clássicos como “Hellraiser” e “Candyman”, além da série “Livros de Sangue”, publicada também no Brasil, fez uma declaração no Twitter sobre como as pessoas do seu círculo social reagiram quando ele tornou-se vegetariano: “Perdi mais amigos por ser vegetariano do que por ser gay.”
Em 1997, em crítica à violência contra os animais, Clive Barker sugeriu que os jornais colocassem notícias de caça e pesca nas seções de obituários, de acordo com informações da página 57 do livro “Women and Guns: Politics and the Culture of Firearms in America”, de Deborah Homsher, lançado em 2001.
Barker começou a se posicionar sobre os direitos animais há algumas décadas por se identificar com as pautas contra a exploração de animais nas indústrias alimentícia, de vestuário e entretenimento.
Considerado por Stephen King na década de 1990 como a face da literatura de horror do futuro, Barker produziu o filme “Midnight Meat Train”, lançado em 2008, em que critica o consumo de carne ao colocar seres humanos no lugar dos animais.
A obra baseada em seu conto homônimo de 1984, e publicada no primeiro volume da coleção “Livros de Sangue”, conta a história de Leon, um fotógrafo vegetariano interpretado por Bradley Cooper que trabalha registrando o que existe de mais obscuro na humanidade. Um dia, ele testemunha uma tentativa de abuso contra uma modelo em um trem. A moça desaparece e ele começa a suspeitar de um açougueiro que estava no mesmo vagão naquela noite.
Leon então descobre que os passageiros do trem são assassinados a marretadas para que suas carnes sirvam de alimento para alienígenas carnívoros. Tais ações criminosas remetem ao que fazemos diariamente com bois, vacas, porcos e aves, entre outros animais. “Midnight Meat Train” mostra por meio de cenas de extrema violência o quão brutal pode ser o abate com a mera finalidade de transformar corpos sem vida em alimento.
Em síntese, no filme de terror o trem onde a carne humana é selecionada nada mais é do que um matadouro móvel. Na história de Barker, ele explora a compulsão pelo consumo de carne e aborda como o meio tem grande influência sobre quem somos, o que pode ser percebido pelo espectador ou leitor ao final do conto e do filme.
Saiba Mais
No Brasil, o filme “Midnight Meat Train” recebeu o título “O Último Trem”.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…