Enquanto humanos passam fome há tantos animais sendo criados e alimentados somente para serem mortos para consumo. Também há muitos outros que são alimentados porque são úteis vivos e serão mortos também quando não forem mais úteis vivos.
Muitos humanos não têm acesso à enormidade de grãos e do volume de água utilizados na alimentação e hidratação de animais que são mortos para serem comidos por humanos que têm condições de pagar pelo resultado da violência contra esses animais. Há várias contradições nisso.
O animal na pecuária é alimentado para em breve não ser alimentado, enquanto ainda hoje muitos humanos não podem ter sequer acesso ao que tem acesso aquele que só come porque será explorado e comido. Se consideramos somente essa reflexão, não é algo absurdo?
Alguém pode dizer que o animal é valioso nesse sistema, mas não em si, porque o “direito” do animal (na pecuária) de comer só existe pelo que pode ser tirado dele e transformado em lucro com base no arbitrário interesse comum – seja em vida (leite, ovos, etc) ou na morte (carne).
Não que isso não ocorra sem finalidade econômica, porque qualquer um sabe que isso ocorre, e também não devemos ignorar o quanto isso já é arbitrário em si. No entanto o efeito da mercadorização é o que melhor evidencia essa estranha e contraditória relação de estabelecimento de valores e desvalores.
Mas é preciso ter em mente que a mercadorização torna essa realidade não só reprovável como aberrante, porque atribui ao animal explorado a condição de produto, de meio de lucro.
E isso que surge em consequência à imposta condição com fins de consumo é o que estabelece uma crescente distância entre o que é maiormente produzido para alimentar quem só pode viver para em breve ser morto.
Pastagens a perder de vista e enormes campos de leguminosas que sequer beneficiam diretamente seres humanos e continuam ocupando a cada ano muito mais áreas, não revelam uma estranha lógica?
O que também deveria motivar uma reflexão e um anseio por mudança é que as consequências nocivas, inclusive ambientais, dessa relação de produção e consumo, também atingem quem sequer participa dela.
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