Na série “Como me tornei vegana ou vegetariana?”, o VEGAZETA traz depoimentos de pessoas de várias regiões do Brasil, e também de fora do país, que se tornaram veganas, vegetarianas ou que abdicaram do consumo de carnes. O que será que motivou essa mudança? Uma experiência, uma história, um documentário, um filme, um artigo, um livro? Há muitas formas de alguém repensar o consumo de animais. Hoje, compartilhamos um pouquinho da história de transição de Elisa Doroteu, Jakeline Augusto Pinheiro, Liz Sant e Luana Skiba.
Elisa Doroteu, de São Paulo (SP):
“Há três anos, conheci um rapaz chamado Rodrigo, veterinário e funcionário da Anvisa. Durante uma conversa, ele disse que era crudívoro, e aí me despertou uma vontade de entender o que era ser vegetariano, vegano, crudívoro. Fui pesquisar. Comecei a cruzar com pessoas veganas e, olha que interessante, trabalho com empreendedores, e em uma semana haviam quatro clientes, todos veganos e cada um com modelos de negócio diferentes. Minha sede e fome de informações não cessaram. Assisti ‘A carne é Fraca’ e ‘Paredes de Vidro’, com o Paul McCartney. Um belo dia, fui até a frangaria do Seu Dito, afinal todo domingo era dia de frango assado, macarronada e maionese. Comecei a olhar aquele frango de maneira diferente, só enxergava como cadáver, sério. Quando a atendente me chamou pedindo para escolher entre os mais fortes, dourados, recheados, a minha consciência sobre a vida mudou. Bom, não consegui escolher o frango, a atendente pegou um e embrulhou. Cheguei em casa e, enquanto todos almoçavam, pela primeira vez não consegui comer. Todas as informações que busquei começaram a fazer sentido. Leite eu já não consumia desde criança porque tinha nojo. Logo peguei ranço de carne vermelha, carne de porco, embutidos e assim se iniciou a minha transformação. Passei a ter a ciência do que era a causa vegana, em que todos têm o mesmo objetivo: respeitar a vida não humana.”
Jakeline Augusto Pinheiro, de Guarulhos (SP):
“O que me levou a ser ovolacto foi uma pesquisa inicial sobre os males da carne, que fala que algumas meninas têm a menarca adiantada por causa dos hormônios da carne. Nisso, acabei conhecendo a crueldade contra os animais e os males que esse consumo faz ao planeta. Assisti ao documentário ‘A Carne é Fraca’ duas vezes. Na primeira, fiquei 15 dias sem comer carne e na segunda apenas uma semana. Alguns meses depois, assisti a duras penas ‘Terráqueos’, e determinei o seguinte: ‘Se eu conseguir ficar 30 dias sem comer carne, prosseguirei assim até tirar os derivados”. E foi o que fiz. Um fator determinante pra eu tirar os derivados foi a música ‘Animal Kingdom’, do Prince. Comi um ‘queijo azul’ depois de ouvir essa música e vomitei imediatamente.” Me tornei ovolacto em agosto de 2014 e depois vegana em setembro de 2016.”
Liz Sant, do Rio de Janeiro (RJ):
“Me tornei vegana na faculdade. Uma colega com quem ainda tenho contato pelo Facebook colocava várias notícias e vídeos sobre veganismo. Um deles, sobre a morte de pintinhos, me deixou muito triste, assim como outro que falava sobre o leite de vaca. Bom, a partir daí, comecei a procurar mais informações sobre o veganismo e a acompanhar páginas veganas. Quando comia carne, sentia muita pena dos animais. Me tornar vegana não foi tão fácil no início, mas fui me acostumando. Com o tempo, já não sentia nenhuma necessidade de consumir nada de origem animal.”
Luana Skiba, de São Mateus do Sul (PR):
“Eu tinha uma porquinha quando criança, era muito apegada a ela. Meus pais sempre criavam porcos pra comer, mas ela era diferente, tipo um cachorrinho. Fui pra escola ao lado de casa e quase na hora de acabar a aula ouvi os gritos dela. Eu não pude fazer nada. Só ouvi o grito desesperador de quem clamava pela vida. Cada vez que vejo alguém comer carne isso passa pela minha cabeça várias vezes. Após o ocorrido, passei a defender cada vez mais os animais, mas como era pequena não conseguia fazer muito. Decidi que queria mudar e cá estou mesmo diante de vários pré-conceitos. Temos diversas fontes alimentícias. Não precisamos acabar com vidas para sobrevivermos. Carne não é mais uma necessidade.”
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