Na série “Como me tornei vegana ou vegetariana?”, o VEGAZETA traz depoimentos de pessoas de várias regiões do Brasil, e também de fora do país, que se tornaram veganas, vegetarianas ou que abdicaram do consumo de carnes. O que será que motivou essa mudança? Uma experiência, uma história, um documentário, um filme, um artigo, um livro? Há muitas formas de alguém repensar o consumo de animais. Hoje, compartilhamos um pouquinho da história de transição de Flávia Garcia Fernandes, Helena Cristina Greguer, Maria B. d’Oliveira e Sirlei Crispim.
Flávia Garcia Fernandes, de Novo Hamburgo (RS):
“Eu tinha tentado parar de comer animais por duas vezes, e por mais de um ano, mas infelizmente não fui forte o suficiente e voltei a me alimentar de carne. Mas quando minha filha fez 13 anos, ela parou de comer carnes. Em seguida, tornou-se vegana por amor aos animais. Com seu exemplo leve de amor e persistência em argumentar com uma família carnista de um estado onde a tradição é comer churrasco com orgulho, ela me tocou o coração. Comecei a ter vergonha dela e dor no coração pelos bichinhos. Olhei muitos vídeos fortes sobre as torturas que os animais sofrem e acabei mudando. Já tivemos o nosso segundo Natal vegano, felizes, comendo muito bem (somos boas de garfo) e com a consciência tranquila.”
Helena Cristina Greguer, de Dracena (SP):
“Desde quando as lembranças começam a fazer parte de nossa mente, com cinco ou seis anos talvez, o sabor da carne nunca me agradou. Não ‘descia’ confortavelmente pela minha garganta. Era indigesta, me incomodava. Minha mãe colocava no prato e eu separava no cantinho. Não queria. Perguntava do que era, e minha mãe me dizia: ‘é de gado’. Mas eu pensava, nós humanos também somos feitos de carne, e sendo o gado um animal também de carne, tem sangue igual a minha carne. Relativizei e daí o nojo só aumentou. Na minha cabeça de criança, seria como comer a carne de outra pessoa. Nossa! Isso me dava um asco enorme. Repugnava. Também tinha muita pena quando lembrava dos olhinhos dos animais tão serenos e puros. E pensava: ‘por que eles têm que virar comida?’ Mas, sempre me privando da carne, fui crescendo, pesquisando e com a internet tive conhecimento da exploração da indústria da carne. Minha indignação mostrou o quanto eu estava certa em não digerir pedaços de uma vida sagrada igual à minha. E sabendo disso, minha compaixão que já existia, falou bem mais alto. E assim sigo ainda vegetariana, mas consumindo cada vez menos produtos de origem animal, até abolir de vez.”
Maria B. d’Oliveira, de São Paulo (SP):
“Bom, desde a adolescência eu tinha como objetivo me tornar vegetariana e isso era mais por influência de algumas pessoas que eu admirava no mundo da música e do cinema. Nunca fui fã de carne vermelha e já havia abolido do meu cardápio há 21 anos. O leite também nunca foi algo prazeroso para mim, mas só o consumia na forma de iogurtes, sorvetes, bolos e tantas outras receitas culinárias que o utilizasse. Quando descobri o veganismo, confesso que achava esse tipo filosofia de vida muito radical. Abolir tudo o quanto fosse possível vindo de animais pra mim era inviável. Gradativamente, fui me inteirando e conhecendo o que significa ser vegana. Há seis anos, deixei de comer carnes brancas e, por último, há quatro anos, peixes, ovos e lacticínios, me tornando, finalmente, vegana após tomar conhecimento do quanto esses outros animais sofrem. São vidas que sentem medo, dor, têm sentimentos como eu e qualquer outro humano. Me sinto ótima e mais leve depois que o veganismo entrou em minha vida. A sensibilidade se torna mais aguçada, você adquire outra maneira de ver o mundo e passa a considerar que todas as formas de vida têm uma importância imensurável, assim como todos nós humanos.”
Sirlei Crispim, de São Paulo (SP):
“Eu tinha por volta de 11 anos quando uma professora começou a falar sobre o sofrimento dos animais. Fiquei pensando sobre o assunto e deixei de comer carne. Já não comia nada de animal de água. Não gostava de ver bicho morto ou pessoas maltratando animais. Hoje, tenho 43 anos e continuo sem consumir carne.”
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