Ver um ser senciente sem pele/couro, mesmo que já sem vida, nunca é agradável e também porque não deixa de ser um tipo de violação.
O couro, que passa por processo físico-químico que favorece a despersonalização e desconexão por meio do curtimento e da industrialização, nunca deixa de ser o que é, ou seja, um tecido que existiu para envolver e proteger o corpo de um animal, assim como nossa própria pele nos protege.
Consumir couro também significa apoiar o tradicional abate. Afinal, não há couro sem morte, e com essa também chamada “agregação de valor” infelizmente é algo vantajoso para quem cria animais com finalidade exploratória/econômica.
Então mesmo quem não consome carne, mas não vê problema em utilizar artigos de couro, financia o envio do gado para um processo que inclui banho de aspersão – que garante a chamada “esfola higiênica” – secagem de pele e “atordoamento” ou “insensibilização”, que consiste em deixar o animal inconsciente inutilizando seu cérebro por meio do uso de
pistola ou marreta pneumática.
Na sequência, o animal é pendurado e degolado, e tudo deve ser feito de forma a não comprometer a “boa preservação” do couro. Na degola, que pode ser precedida de vômitos, um boi chega a perder até 20 litros de sangue e a morte ocorre por falta de oxigenação no cérebro.
A “produtificação” dessas vidas é seguida por esfola, remoção do couro e cabeça, evisceração e refrigeração. Não há como ignorar que não existe couro animal sem violência, ainda que seja um subproduto.
Afinal, sem essas etapas no matadouro, o couro não chegaria aos calçados, roupas, bolsas, móveis e outros tantos acessórios que as pessoas adquirem sem considerar a cadeia produtiva, e sem ponderar sobre o impacto ambiental dessa produção – que envolve descarte de resíduos químicos e efluentes tóxicos de cromo, ácidos e alvejantes.
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