“A natureza está nos enviando uma mensagem com a pandemia de coronavírus e a atual crise climática”, diz a diretora-executiva do Programa Ambiental da ONU, Inger Andersen, conforme publicação do Guardian desta quarta-feira (25).
Ela defende que a humanidade está pressionando demais o mundo natural, trazendo inúmeras consequências prejudiciais. Também alertou que não cuidar do planeta significa não cuidar de nós mesmos.
Os principais cientistas ligados à ONU sustentam que o surto de covid-19 foi um alerta, já que existem muito mais doenças letais na vida selvagem, e que a civilização atual está “brincando com fogo”. A organização também partilha o entendimento de que é o comportamento humano que faz as doenças se espalharem para os seres humanos, não os animais.
Para evitar novos surtos, apontam os especialistas, o aquecimento global e a destruição do mundo natural visando agropecuária, mineração e habitação precisam acabar, já que forçam um perigoso contato entre vida selvagem e humanos.
Eles também estão pedindo às autoridades que coloquem um fim aos mercados de animais vivos – que eles chamam de uma “tigela de doenças” – assim como o fim do comércio ilegal de animais.
Inger Andersen disse que a prioridade imediata é proteger as pessoas contra o coronavírus e impedir sua propagação, mas que uma resposta a longo prazo deve levar em conta que o vírus surgiu como consequência da perda de habitat dos animais silvestres e da redução da biodiversidade.
“Nunca houve tantas oportunidades para os patógenos passarem de animais selvagens e domesticados para as pessoas”, declarou Andersen ao Guardian, explicando que 75% de todas as doenças infecciosas emergentes vêm da vida selvagem [mas sua disseminação surge a partir da intervenção humana].
“Nossa degradação contínua de espaços selvagens nos levou para perto de animais e plantas que abrigam doenças que podem saltar para os seres humanos.” Declaração semelhante foi feita pelos cientistas ligados à National Geographic.
Ela também citou outros impactos ambientais em decorrência da ação humana, como os incêndios florestais australianos, recordes de calor quebrados e a pior invasão de gafanhotos no Quênia em 70 anos. “No final do dia, com todos esses eventos, a natureza está nos enviando uma mensagem”, reforçou a diretora-executiva de Meio Ambiente da ONU.
“Estamos intimamente interconectados com a natureza, gostemos ou não. Se não cuidamos da natureza, não podemos cuidar de nós mesmos. E, à medida que avançamos em direção a uma população de dez bilhões de pessoas neste planeta, precisamos entrar nesse futuro armados com a natureza como nossa aliada mais forte.”
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