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Covid-19: Jane Goodall faz crítica à agropecuária

“Se não fizermos as coisas de maneira diferente, será no nosso fim”, alertou Goodall (Foto: Getty)

No dia 2 de junho, a renomada primatóloga Jane Goodall participou de uma conferência online organizada pelo Parlamento Europeu que teve como foco discutir a relação entre pandemias, vida silvestre e agropecuária. Na ocasião, ela defendeu que a única saída é uma revolução no sistema alimentar.

Primatóloga diz que nossa sobrevivência depende de mudanças

“Se não fizermos as coisas de maneira diferente, será no nosso fim”, alertou Goodall, acrescentando que nós somos os responsáveis pelo que está acontecendo hoje, considerando nossos hábitos de consumo e o sistema alimentar que financiamos.

“É por causa do nosso absoluto desrespeito ao meio ambiente e aos animais. Nosso desrespeito aos animais silvestres e nosso desrespeito em relação aos animais de criação [para consumo] levaram a esses ambientes em que as doenças podem atravessar a barreira das espécies e se transferir de um animal para um ser humano.”

Na conferência que contou com sete membros do Parlamento Europeu, a primatóloga reforçou várias vezes que a situação é urgente. “Se continuarmos com esses negócios como de costume, isso realmente levará ao fim de nossa espécie no planeta Terra.”

Em abril, durante outra conferência virtual, Jane Goodall já havia defendido que o novo coronavírus é consequência do desrespeito a outras formas de vida.

“Agrupamos cruelmente bilhões de animais no mundo todo”

“Isso foi previsto há muito tempo”, disse e acrescentou que as civilizações modernas criaram ambientes onde o vírus pode se espalhar facilmente.

“Agrupamos cruelmente bilhões de animais no mundo todo [que serão mortos para consumo]”, continua.

Segundo a primatologista, que dedicou sua vida aos animais silvestres lançou recentemente o documentário “Jane Goodall: The Hope”, à medida que destruímos, por exemplo, a floresta, diferentes espécies de animais são forçadas a se aproximarem e, como consequência, as doenças estão sendo transmitidas de um animal para o outro.

“É mais provável que o segundo animal infecte humanos porque ele é forçado a ter um contato mais próximo com os humanos. Essas são condições que criam uma oportunidade para o vírus ultrapassar a barreira das espécies e chegar aos humanos.”

Jane Goodall sustenta que o mínimo que podemos fazer é aprender a respeitar o mundo natural. “Temos que perceber que fazemos parte do mundo natural, dependemos dele e, ao destruí-lo, roubamos o futuro de nossos filhos”, reforçou.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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