Opinião

Covid-19: pangolim, vítima da interferência humana na natureza

Se somarmos a quantidade de elefantes, rinocerontes e leões mortos por caçadores, ainda não nos aproximaremos da quantidade de pangolins mortos (Foto: Reuters)

Pangolins são animais pré-históricos que habitam o planeta há mais de 80 milhões de anos. Eles sobreviveram por tanto tempo porque não têm predadores naturais e fazem o que podem para não ter contato com outras espécies. São criaturas reclusas que vivem no subsolo e em cavernas na África e na Ásia.

Suas escamas são como armaduras e impossíveis de serem rasgadas até mesmo por leões adultos. Ainda assim o ser humano conseguiu fazer desse animal a maior vítima mamífera do tráfico de animais.

Entre os anos de 2000 e 2018 foram capturados e mortos mais de um milhão de pangolins e apenas para a extração de queratina de suas escamas – que são semelhantes à queratina que encontramos em nossas unhas.

Se somarmos a quantidade de elefantes, rinocerontes e leões mortos por caçadores, ainda não nos aproximaremos da quantidade de pangolins mortos.

Atualmente existe a hipótese de que o coronavírus possa ter surgido a partir da intervenção humana no ciclo de vida dos pangolins, tornados hospedeiros do vírus.

Se isso for confirmado mesmo, como ignorar que o maior semeadouro de doenças de origem não humana é a humanidade? Hoje temos um número crescente de transferências de doenças animal-humana que não existia em outros períodos da história.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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