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Criadores de gado se tornam veganos e investem em cogumelos

A estrada tem sido longa, mas já aprendemos muito e estamos cheios de esperança em relação ao futuro”, revela (Acervo: Jennifer Barrett/Free From Harm)

Jennifer e Rodney Barrett vivem em uma fazenda no sudoeste do Arkansas, nos Estados Unidos, onde criaram bovinos e frangos para consumo por 18 anos. Em 2011, Rodney foi diagnosticado com colite ulcerativa e Jennifer sofria em decorrência de artrite, depressão, obesidade e hipertensão.

Na busca por mais saúde, eles começaram a reduzir o consumo de alimentos de origem animal. E isso teve um resultado positivo para os dois. Jennifer conseguiu perder peso e passou a se sentir melhor, segundo seu próprio relato no artigo “Our journey from cattle & chicken farmers to vegan mushroom farmers”, publicado no site Free From Harm.

Em maio de 2016, eles decidiram ir além e experimentaram uma dieta sem nada de origem animal. Jennifer relata que na terceira semana se sentiu uma nova pessoa. “Minha mente estava tão clara. Eu estava dormindo como um bebê e tinha muita vitalidade, energia e alegria. Foi revolucionário, mas trouxe um milhão de perguntas”, enfatiza.

A partir daí, o casal começou a considerar não apenas eles mesmos – foi como se um véu tivesse caído.

“Lembro de estar em um dos nossos galinheiros um dia antes do abate e me senti tão pesada, foi como sentir a dor de todos que iriam morrer. E foi difícil, duro para nós, em todos os sentidos. Fazíamos isso com orgulho porque acreditávamos que estávamos fornecendo um produto que servia a um bem maior, e que nos permitia viver em nossa amada terra”, explica.

Sofrimento e morte desnecessários

Jennifer admite que pensou que poderia seguir adiante nesse negócio, mas em dezembro de 2018 a situação ficou insustentável. “Foi tão frustrante reconhecer que todo esse sofrimento e morte e decadência, essa situação de holocausto, é tão desnecessário, mas ainda existe. Comecei a ver os frangos de forma diferente. Nunca tinha olhado par eles como indivíduos”, reconhece.

E acrescenta: “Após meses de incerteza, tomamos a decisão de cancelar nosso contrato de produção de aves e parar de criar e vender gado. O dinheiro rapidamente acabou e nosso plano backup falhou.” O casal se tornou vegano e conheceu Renee King-Sonnen do Rowdy Girl Sanctuary, que também foi pecuarista, abraçou o veganismo e fundou um santuário.

Renee e a equipe do Rancher’s Advocacy Program (RAP) os ajudaram a deixar a agropecuária e a colocar em prática um plano para evitar que perdessem a fazenda.

“O RAP garantiu a nossa sobrevivência enquanto fizemos a transição para a cultura de cogumelos. Ainda estamos em um processo de mudanças, mas nossos corações foram abertos e continuamos a evoluir à medida que abraçamos nossa reverência por animais que por tanto tempo foram reprimidos. A estrada tem sido longa, mas já aprendemos muito e estamos cheios de esperança em relação ao futuro”, revela.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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