Categorias: Opinião

A cruel realidade das vacas leiteiras “premiadas”

Vacas “premiadas” em grandes campeonatos de produção leiteira chegam a ter até 25% do seu peso em leite. São esses animais que são utilizados para promover os nomes das fazendas leiteiras. Essas premiações enviam uma mensagem de que estão na vanguarda do aumento da produção leiteira; uma mensagem de que são extremamente eficientes.

Mas deixando de lado toda essa propaganda oficial que surge em relação a esses animais, incluindo até mesmo a admiração que envolve a constituição desses animais, se pensarmos fora desse contexto de instrumentalização, considerando somente o impacto disso para o animal, como ignorar o quanto isso é estranho e o quanto envia uma mensagem de que um animal é uma máquina em estado de modificação por intervenção humana?

Como olhar para um animal desse e não ver sua desproporcionalidade corporal? Esses animais cansam muito mais do que os outros, têm mais suscetibilidade para desenvolver problemas de cascos e articulações, entre uma série de outros problemas. E poderia ser diferente?

Nunca vi vacas usadas para alta produção leiteira andando como se não houvesse algo de errado com seus corpos. É como se estivessem carregando algo que não é parte de seus corpos, um algo estranho fixado ali.

Isso não é de se estranhar, já que o que é imposto a esses animais extrapola e muito a aptidão desses animais em gerar leite para suas proles. E se geram muito mais, é porque, claro, foram reduzidos à condição de máquinas de ordenha.

Imagine selecionar uma criatura para atingir um novo patamar de produção, e com base nisso, definir que 1/4 de seu corpo vivo será utilizado para interesses que não são seus. E claro, essa estranha dimensão deverá ser possibilitada pelo total domínio sobre a sexualidade desse animal.

E quando esses interesses já não forem devidamente satisfeitos, o animal será descartado e substituído por outro “mais eficiente”. Quem vê beleza nisso, não vê a vaca, mas somente o meio. Também devemos nos perguntar, não seria findado o sentido disso se o leite de vaca não fosse um interesse humano?

Leia também “Vacas e bezerros também sofrem em propriedades familiares“, “Em ‘Furiosa: Uma Saga Mad Max’, mulheres vivem violência semelhante à sofrida por vacas leiteiras” e “Se a vaca não deixa tirar leite, usam de violência“.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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