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Deputado quer proibir produção e venda de foie gras no Brasil

O fígado dos animais, em alguns casos, chega a 12 vezes o tamanho normal (Acervo: Sky News)

O deputado federal Elias Vaz (PSB-GO) apresentou ontem (18) projeto na Câmara para proibir, em todo o país, a produção e venda de itens derivados de processo de alimentação forçada de animais, como o foie gras, o fígado gordo de ganso ou pato.

A matéria do PL 701/2020 inclui produtos obtidos a partir do uso de mecanismo automático ou manual. Também proíbe a importação de produtos baseados em alimentação forçada.

“É preciso promover uma mudança cultural, é um movimento mundial. Foi o que aconteceu, por exemplo, com os casacos de pele. O que era chique há uns anos, é inaceitável hoje”, explica Elias Vaz.

O projeto prevê sanções como cancelamento da licença de funcionamento, se houver, e imediata interdição do estabelecimento que comercializar ou possuir o produto em estoque, além de multa de R$10 mil e ainda apreensão e incineração da mercadoria. Se houver descumprimento da interdição, a multa diária é de R$2 mil.

A produção de foie gras é feita a partir de um processo cruel. Para deixar o órgão maior e mais gorduroso, produtores impõem uma dolorosa alimentação forçada por canos que vão direto ao estômago das aves várias vezes ao dia. O fígado, em alguns casos, chega a 12 vezes o tamanho normal.

A superalimentação provoca acúmulo de gordura nas células do fígado e os animais sofrem lesões na garganta e esôfago, causadas pelo tubo que leva a ração diretamente para o estômago. Podem ser acometidos por inflamações, infecções e problemas respiratórios.

“Em pleno 2020, é inadmissível que tal prática seja tolerada, visto que é resultado de imensa crueldade contra as aves. Não queremos intervir no comércio, mas inibir esse crime ambiental”, destaca o deputado.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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