O desmatamento da Amazônia em 2021 já atingiu 13.235 quilômetros quadrados, revelam dados postados no site do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais. A estimativa do programa Prodes, do Inpe, indica uma alta de 22% em relação ao ano passado. É a terceira alta consecutiva no governo Bolsonaro e também a primeira vez desde o início das medições, em 1988, que a devastação sobe por quatro anos seguidos.
Segundo o Observatório do Clima, há 15 anos a floresta amazônica não assiste a uma destruição nesse patamar. Em 2006, o desmatamento, então em queda, foi de 14.286 quilômetros quadrados.
“Diferentemente da propaganda que o governo e seus aliados no agro e na indústria levaram à COP26, em Glasgow, o Brasil real é este”, diz Marcio Astrini, secretário-executivo do OC.
Em três anos de governo, a média do desmatamento é de 11.405 quilômetros quadrados anuais, um número 51% maior do que em 2018, último ano do governo Temer, e 75% do que a média dos dez anos anteriores (2009-2018).
O Observatório do Clima diz que Bolsonaro enterrou o Plano de Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia, que atravessou cinco mandatos presidenciais, e ainda manietou o Ibama, a quem chamava de “indústria da multa”, e paralisou o Ministério do Meio Ambiente. O ex-ministro Ricardo Salles, que ficou famoso por propor “passar a boiada” nas regulações ambientais, foi demitido por suspeita de nove crimes, entre eles facilitação a contrabando de madeira.
Os dados do Inpe são de 27 de outubro. Isso mostra que o governo já tinha as informações na mão quando foi à conferência do clima da Escócia COP26 e omitiu isso deliberadamente.
“Enquanto escondia o número da sociedade brasileira e da comunidade internacional, o governo anunciou em Glasgow uma intenção de zerar o desmatamento ilegal em 2028 e assinou uma declaração sobre florestas na qual se compromete a zerar todo o desmate em 2030”, critica a entidade.
O dado do Inpe também mostra que o mais de meio bilhão de reais gasto em operações militares na floresta e as dezenas de milhões de reais gastas pelo Ministério da Defesa na compra – sem licitação – de um satélite foram inócuos. Um dos dados mais preocupantes do novo Prodes é a explosão do desmatamento no Amazonas, o segundo mais preservado da região, e onde a devastação subiu 55%.
O desmatamento se concentra no sul do estado, nos municípios de Apuí e Lábrea. Este último é por onde passa a BR-319, estrada que o ministro da Infraestrutura, Tarcísio Gomes de Freitas, tenta pavimentar a todo custo, passando por cima do rito de licenciamento ambiental. O desmatamento em Lábrea pode indicar um surto de grilagem em antecipação à obra – uma tendência histórica na Amazônia. Enquanto isso, as multas ambientais por crimes contra a flora despencaram no estado: foram aplicadas 280, o menor número desde 2004.
O Observatório do Clima alerta que no Congresso tramitam neste momento pelo menos cinco projetos de lei que podem piorar ainda mais a situação: os PLs 2.633 e 510, que anistiam a grilagem, o PL 3.729, que praticamente extingue o licenciamento, e os PLs 490 e 191, que ameaçam as terras indígenas.
“Precisamos de uma resposta forte e à altura vinda de toda a sociedade”, disse Astrini.
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