Opinião

Não temos o direito de privar os animais de suas vidas

Têm ou tiveram família e, mesmo que em curto prazo (seja por alguns dias, semanas ou meses), fizeram parte de um contexto social

Se o papel da muitos animais não humanos é apenas nos servir como produtos, por que eles nascem sencientes, e até mesmo com níveis distintos e equiparáveis de consciência e inteligência? Acredito que seja justo refletirmos a respeito.

Os animais que matamos, seja para consumo, ou outro tipo de uso, ou até mesmo nenhum, não existem ou existiram sozinhos – eles vieram de algum lugar, de alguém. Têm ou tiveram família e, mesmo que em curto prazo (seja por alguns dias, semanas ou meses), fizeram parte de um contexto social, já que não apenas nós humanos somos seres sociais, mas animais de muitas outras espécies também.

Animais não humanos também merecem viver

Mas, claro, sou da opinião de que mesmo que os animais não tivessem ninguém, e vivessem no mais pleno ostracismo, e/ou fossem destituídos de inteligência, ainda assim não teríamos tal direito de privar-lhes da própria vida. Ademais, não é difícil encontrar inúmeras pesquisas científicas que reconhecem as habilidades sociais da maioria dos animais que reduzimos a alimentos e outros produtos.

Considere por um momento o vínculo da vaca com o bezerro, que começa a partir do nascimento, assim como o da porca com o seu leitãozinho e o da galinha com o pintinho. Todos esses animais sofrem alterações metabólicas e comportamentais quando testemunham algum desconforto envolvendo suas crias. Isso não é instintivo.

Sentimento de empatia e preocupação animal

São manifestações que a própria ciência já tem associado formalmente, e com frequência, há pelo menos uma década com o sentimento de empatia e preocupação; embora sob um aspecto empírico isso já parecesse bem claro para quem se opõe à objetificação animal. Não seriam características a serem consideradas moralmente? Que indicam que, assim como nós, os outros animais não partilham do desejo pela morte precoce?

Além disso, diante de tanto impacto que causamos ao mundo em proporções desmedidas e pouco refletidas há centenas de anos, e de maneira mais visceral há décadas, será que temos o direito de supervalorizar a nossa importância ao mesmo em que chamamos qualquer espécie não humana de praga? Como se isso fosse uma justificativa para nossas arbitrárias veleidades.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • Não temos o direito,de usar os animais, quaisquer que sejam, mais ainda namoremos omdireitomdemsacrifica-los com trabalho estafante ou desumano. São sencientes e precisam saber que os amamos, e dessa maneira nos acompanharão com prazer nos ajudando em nossos afazeres como companheiros que são. Usá-los como objetos e sacrifica-lost pela nossa satisfação, tem que ser vetado por leis e punições severas.

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