Precious Animals Document The Netherlands Piglets’ eyeteeth are clipped to prevent them harming the sow. Photo Jan van IJken Dierbaar Document Nederland Hoektandjes van een big worden afgeknipt zodat ze de zeug niet kunnen verwonden. Foto Jan van IJken
Normalmente quando se fala em preço da carne, seja em uma reportagem ou em forma de um comentário, e o objetivo é destacar se está mais “barata” ou mais “cara”, ou seja, estabelecer algum tipo de comparativo, não entra na consideração o custo que isso tem para os animais; e um custo irreversível, porque a vida desses animais não pode ser devolvida.
Logo ninguém paga mais caro pela carne do que o animal que é morto para que haja tal disponibilidade. Essa consideração nem mesmo deve ser reduzida somente à carne. Em nenhum produto de origem animal vem discriminado o custo que isso tem para os animais.
Em relação a outros produtos a discriminação poderia ter até mais impacto, porque mesmo hoje o que é inegável em relação à carne tende a ser negável em relação ao que não é carne, mesmo que a violência seja imanente à exploração. Mesmo um animal que não é criado para ser abatido não deixará de ser abatido quando o interesse em mantê-lo vivo for substituído pelo interesse em enviá-lo para a morte.
Se nos produtos houvesse uma descrição sobre a realidade desses animais, seria preciso destinar um espaço significativo para listar tudo que é feito com eles desde o momento em que nascem até o momento em que são mortos. Não tenho a pretensão de dizer que isso traria os resultados esperados, mas haveria sim alguma mudança, e impediria qualquer afirmação de desconhecimento sobre o que ocorre com esses animais.
Violação sexual, reprodução forçada, desmame forçado, separação precoce, descarte de animais incompatíveis à produção, descarte por improdutividade ou queda na produção, debicagem, corte de cauda, desbaste ou corte de dentes, marcação por mutilação, remoção de chifres, procedimentos diversos sem anestesia, choque, privação por confinamento, privação por transporte, degola, além de idade no momento do abate e expectativa de vida.
Algumas informações poderiam parecer óbvias, mas mesmo essas poderiam ter outro impacto ao ganharem a forma de lembretes nos produtos, de que se consumimos, por que não pelo menos listar o que ocorre com esses animais?
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Aqueles que lucram com todas essas práticas sabem que que se essas informações fossem registradas legalmente nos rótulos e que o consumidor tivesse acesso a elas, a demanda cairia profundamente e o "prejuízo" financeiro deles os levaria à falência.
Tão nocivo aos animais quanto à indústria é o comercial da Nestlé (e similares) que inocula na mente das pessoas a ideia de cuidado, carinho e proteção, quando na verdade o que há por trás daquele produto é diametralmente o oposto.
Pegando mais uma vez uma frase de Alexander Soljenítsin: "A violência não existe e não pode existir por si só. Ela está invariavelmente ligada à mentira."