Meio Ambiente

Estudo mostra alta concentração de antibióticos nos rios

Os antibióticos são apenas um dentre uma variedade de produtos farmacêuticos, produtos de higiene pessoal e outros contaminantes ambientais, cada vez mais presentes nas águas residuais e nos lixões (Foto: Nick Kaiser/AP Images)

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a resistência a antibióticos é hoje uma das maiores ameaças à saúde, à segurança alimentar e ao desenvolvimento global.

Numerosas infecções, como pneumonia, tuberculose, gonorreia e salmonelose, estão se tornando mais difíceis de tratar, à medida que os antibióticos usados ​​tornam-se menos eficazes. A resistência a antibióticos leva a internações hospitalares mais longas, custos médicos mais altos e aumento da taxa de mortalidade.

A resistência aos antibióticos ocorre quando as bactérias mudam em resposta ao uso de tais medicamentos. Essas bactérias podem infectar humanos e animais, e as infecções que causam são mais difíceis de tratar do que aquelas causadas por bactérias não resistentes.

Embora a resistência a antibióticos ocorra naturalmente, o uso indevido de antibióticos em humanos e animais [muitos criados para consumo] está acelerando o processo, segundo a OMS.

Antibióticos também parecem estar se espalhando no meio ambiente. Um estudo global recente descobriu que as concentrações de antibióticos em alguns rios do mundo excedem os níveis “seguros” em até 300 vezes.

“Os pesquisadores procuraram 14 antibióticos comumente usados ​​em rios de 72 países, em seis continentes, e encontraram antibióticos em 65% dos locais monitorados”, diz um relatório recente da Universidade de York.

“O metronidazol, usado para tratar infecções bacterianas, incluindo infecções de pele e da boca, excedeu os níveis seguros pela maior margem, com concentrações 300 vezes maiores que o nível ‘seguro’ em uma área em Bangladesh.”

“No rio Tâmisa e um de seus afluentes em Londres, os pesquisadores detectaram uma concentração total máxima de antibióticos de 233 nanogramas por litro (ng/l), enquanto em Bangladesh a concentração foi 170 vezes maior”, diz o estudo global.

Os antibióticos são apenas um dentre uma variedade de produtos farmacêuticos, produtos de higiene pessoal e outros contaminantes ambientais, cada vez mais presentes nas águas residuais e nos lixões, que podem ter efeitos adversos à saúde. Essas substâncias são conhecidas como “poluentes emergentes”.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

4 dias ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

2 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

3 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

4 semanas ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

1 mês ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

2 meses ago