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EUA: NYT denuncia abate de burros e cavalos adotados

Segundo a denúncia, animais estão sendo submetidos a maus-tratos e então enviados a matadouros no México e no Canadá (Foto: Aitor Garmendia/Tras Los Muros)

Na semana passada, o New York Times publicou uma reportagem denunciando o abate de burros e cavalos assilvestrados adotados nos EUA por meio do Programa de Incentivo à Adoção (AIP em inglês) do Bureau of Land Management (BLM), responsável pela administração das terras públicas do país.

Para estimular a adoção desses animais, desde 2019 o programa federal destinava 500 dólares aos adotantes 60 dias após a adoção e outros 500 dólares depois de receberem o título do animal. Cada pessoa poderia adotar até quatro animais.

No entanto, uma investigação realizada pelo NYT, amparada pela American Wild Horse Campaign, revelou que em 2020, quando o programa já havia destinado uma quantidade bem significativa de recursos para as adoções de milhares de animais, houve um aumento do número de burros e cavalos assilvestrados encontrados em currais de leilões de onde partiam com destino a matadouros no México e no Canadá.

“Desde o início do AIP, temos visto consistentemente mais e mais grupos de mustangs em currais de abate, incluindo alguns ainda usando etiquetas da BLM no pescoço”, disse em comunicado Candace Ray, fundadora do Evanescent, um santuário para mustangs.

Isso significa que os adotantes estão recebendo duas vezes pelos animais. Quando assumem a tutela, o que garante mil dólares por burro ou cavalo assilvestrado, e quando os vendem com destino a matadouros estrangeiros – o que geralmente ocorre um ano após a adoção. Eles não conseguem se livrar dos animais antes porque a documentação só é liberada após cerca de 12 meses.

“Esse ciclo continuará até que o programa seja encerrado”

“Esse ciclo continuará até que o programa seja encerrado”, criticou Candace Ray. Outra revelação também do NYT é que muitos animais eram mantidos em péssimas condições, sendo submetidos a constantes maus-tratos.

De acordo com a AWHC, eles encontraram cavalos e burros magros e famintos. Um cavalo estava sob cinco polegadas de lama em um espaço que, pelas dimensões, só poderia abrigar em condições normais um animal do tamanho de um cachorro grande.

Cavalos também foram encontrados impossibilitados de manterem-se em pé, com inúmeros ferimentos no corpo e sem condições de mover o pescoço.

A AWHC ressalta que o programa exige que os adotantes assinem um acordo sob pena de perjúrio ao concordarem em fornecer os melhores cuidados a esses animais e jamais vendê-los para o abate.

No entanto, tudo indica que a falta de boa fiscalização criou um cenário em que muitos animais tiveram um triste destino.

Clique aqui para ler a reportagem completa do NYT.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Visualizar comentários

  • Muita ingenuidade imaginar que receberiam dinheiro à guisa de incentivo para adoção e tratamento dos animais, esses crápulas mercenários que venderiam a própria avó conforme a oferta. Com as devidas honrosas exceções daquela minoria que os adotou por amor para serem felizes, incentivou-se um comércio lucrativo para os "adotantes" que estão rindo à toa, engordando a conta no Banco, enquanto os pobres animais pagaram com a tortura e a vida o preço muito alto de serem puros e bons. Inacreditável.

    • Mundo odioso esse ...de desumanos miseráveis, Desgraçados e cruéis ...tUdo de ruim que essa escória tem pra distribuir...Só maldade..

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