Categorias: Opinião

Devemos apoiar a exploração não capitalista de animais?

Devemos apoiar a exploração não capitalista de animais? Hoje muito do que é discutido sobre a mercadorização de animais concentra-se em apontar como o capitalismo favorece um péssimo tratamento para os animais ao visar lucro; já que se o sistema em que os animais estão inseridos hoje é péssimo, tende a ser apontado como péssimo pela busca da ampliação da eficiência na obtenção de retorno financeiro a partir da exploração animal.

E esse sistema não é péssimo porque há uma elevada demanda por produtos de origem animal? O sistema intensivo existiria, a intensificação das privações de diversas ordens, como supressão de comportamentos inerentes, seria possível sem o desejo de tantos consumidores por proteínas animais?

Quem já assistiu documentários ou leu alguma pesquisa sobre o assunto, como a do cientista Joseph Poore, já deve ter se deparado com a informação de que o sistema intensivo, que tornou-se o diabólico simbólico da crueldade animal na industrialização da morte, também existe e cresce porque é o sistema possível para corresponder a uma demanda tão elevada por proteína animal.

Mesmo em determinadas sociedades ou contextos não capitalistas essas práticas estão sendo replicadas, por uma questão de “facilidade e eficiência”. Há um comum reconhecimento de que não há como criar animais (por questões de área/territoriais) de outra forma se o objetivo volta-se a uma macro demanda (o documentário Cowspiracy já havia apontado para isso em 2014).

Não sou relativista do especismo. Não acho que exista uma forma adequada de explorar e matar animais. Portanto, sugiro outra reflexão. Será que argumentos que se concentram somente no anticapitalismo não incorrem no erro de parecer que antagonizam o sistema, mas não a prática, já que todos os dias há animais sendo mortos sem ter o lucro como fim?

Pensemos em histórias familiares que todo mundo conhece de animais que são mortos e consumidos na propriedade em que são criados. Faria sentido dizer para esses animais que eles não precisam se preocupar porque não serão mortos como resultado de uma busca implacável pelo lucro?

Leia também “Fim do capitalismo não seria o fim da exploração animal” e “Não faz sentido dizer que o veganismo de alguém é apolítico“.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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