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Finalistas de prêmio internacional, indianos produzem alternativa ao couro a partir de flores

Uma alternativa ao couro desenvolvida na Índia a partir de flores descartadas foi finalista do prêmio internacional The Earthshot Prize, realizado este mês nos EUA.

Durante o festival Makar Sankranti em 2015, Ankit Agarwal e um amigo observaram que flores usadas em templos locais eram despejadas nas águas do Ganges.

“Enquanto olhávamos para a água suja, vimos flores despejadas de templos próximos se transformarem em uma cobertura sem vida à medida que se acumulavam e suas cores desbotavam nas águas turvas”, relata Agarwal.

Além do desperdício, outro problema é que muitas das flores continham pesticidas. Naquele momento, Ankit teve a ideia de encontrar um meio de evitar que as flores fossem parar no rio.

“Para os desinformados, a ideia de usar flores desperdiçadas parecia ridícula. Tivemos que trabalhar duro para transmitir nossa ideia de reciclar o lixo do templo porque ninguém estava disposto a levar isso a sério ou desistir de seu lixo floral.”

Mas a mudança aconteceu um ano depois. A princípio, a Phool, empresa fundada por ele em Kanpur, coletava esses resíduos florais e os transformava somente em bastões de incenso. Ao fazê-lo, porém, algo extraordinário aconteceu.

Uma substância espessa semelhante a um tapete começou a crescer sobre as fibras não utilizadas no chão da fábrica. Esse tapete, eles perceberam, poderia ser transformado em uma alternativa sustentável ao couro animal e ao plástico, que são prejudiciais ao meio ambiente. Eles chamaram o novo material de Fleather.

Desde então, a Phool coletou 13 mil toneladas de resíduos florais. No processo, eles também geraram oportunidades de emprego para uma comunidade marginalizada. Hoje, a empresa emprega 163 mulheres da casta dalit que coletam as flores descartadas. E esperam oferecer em um futuro próximo cinco mil oportunidades de emprego conforme a demanda por sua matéria-prima for crescendo.

“Começamos isso com uma ideia simples: limpar o rio mais sagrado da Índia. No processo, descobrimos um material crescendo em nossa fábrica que poderia um dia substituir o couro animal. Às vezes, ideias inovadoras surgem de situações improváveis”, diz o fundador e CEO da Phool, Ankit Agarwal.

Em 2021, a organização Pessoas Pelo Tratamento Ético dos Animais (Peta) premiou a Phool pela criação da Fleather – com um prêmio de inovação na indústria da moda.

A empresa tem o apoio do Instituto Indiano de Tecnologia em Kanpur e entre seus investidores estão estrelas de Bollywood como Alia Bhatt.

“Investimos muito em nossa P&D para criar métodos para converter resíduos dos templos em embalagens biodegradáveis e couros biológicos. Também estamos constantemente tentando aumentar nosso impacto no empoderamento das mulheres que trabalham conosco.”

A Fleather contém quitina, uma proteína que confere o mesmo toque delicado e macio do couro.

 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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