Opinião

Por que o frango da Sadia te convida a comer animais?

Frangos não comemoram a própria morte nem testemunham com satisfação as pessoas se alimentando de partes de seus semelhantes (Imagens: Sadia/Chicken Save/Tras Los Muros)

Lequetreque, o famoso mascote da Sadia, é um franguinho amistoso que foi criado em 1971 por Francesc Petit e Washington Olivetto. Irreverente, Lequetreque está sempre fazendo brincadeiras e celebrando alguma coisa. Pena que se trata de uma dissimulação estética que banaliza a exploração animal.

Ou seja, isso não faz o menor sentido no mundo real, mas apenas no imaginário humano estimulado pela publicidade e propaganda, já que frangos não comemoram a própria morte nem testemunham com satisfação as pessoas se alimentando de partes de seus semelhantes.

Animais felizes em morrer?

Sem dúvida, há investimento contínuo na propaganda do suposto bem-estar animal e da dissimulação estética. Exemplos clássicos? Bom, além do Lequetreque, dezenas, centenas e milhares de modelos de embalagens e comerciais com “animais felizes em morrer” no mundo todo.

Esteado em um contexto histórico e cultural, também há o endosso que parte do sistema educacional por meio de material didático voltado à perpetuação da naturalização da objetificação animal, além de livros infantis que legitimam, romantizam e ajudam a perenizar tal exploração sem propor qualquer questionamento, reflexão ou margem à contrariedade.

Alguns livrinhos enfatizam às suas maneiras: “O boi está feliz em morrer para que você possa comê-lo”, “Sim, a galinha existe só para te servir”, “Isso mesmo! Você é superior e pode fazer o que quiser com eles.”

Quando reproduzimos e endossamos tais discursos, rejeitamos a realidade concreta e o êthos de nossas ações. Afinal, aponte-me um animal feliz em ser golpeado no matadouro. Ou mostre-me uma galinha satisfeita em ter uma vida resumida a botar ovos; ou uma vaca se regozijando em dar à luz para em breve ser privada do convívio com os seus.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • A humanidade engana e com isso se engana, mata sem saber que se mata! Mas os tempos estão mudando e um caminho terá que ser escolhido! " Vejo o veganismo como uma luz no final do tunel. " go vegan

  • Bem, se eu assar um frango e jogar pedaços dele para aqueles que estão no galinheiro, só sobrarão ossos. E ainda, sobre a frase “nem testemunham com satisfação as pessoas se alimentando de partes de seus semelhantes”, não acontece, galinhas não são capazes de raciocinar sobre isso.

  • Continuando meu comentário anterior... Concordo que os animais não ficam felizes em serem mortos. Eu moro em zona rural, e é muitíssimo comum nós matarmos animais (frango, porco, pato, boi, peru etc), para comermos, e qualquer um de nós sabemos sobre esta questão.

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