Política

Fundadora do Nação Vegana Brasil defende que veganos devem ocupar espaços políticos

Fundadora do movimento Nação Vegana Brasil, Raquel Janaina Sabino, mais conhecida como Kaz Veg, defende que veganos devem ocupar espaços de influência em todo o país, inclusive na política institucionalizada. Ela acredita que dessa forma há mais condições de promover mudanças que favorecem a luta pelos direitos animais.

“Estamos incentivando veganos e veganas a ocuparem diferentes espaços. Porque sem que isso ocorra, não teremos condições de avançar na luta pela libertação animal, abolindo práticas de exploração animal. É uma necessidade urgente, porque a transformação que queremos, de mais respeito pelos animais, também depende disso”, defende Kaz.

Ela reconhece que quanto mais veganos e veganas ocupando posição de liderança, maior será a influência positiva capaz de atrair mais pessoas para essa luta, inclusive chamando atenção para a importância dos direitos animais na educação.

A ativista, que define o veganismo como uma luta por empatia, compaixão, dignidade e respeito, destaca que hoje muitas barreiras que envolvem a defesa dos animais demandam uma nova percepção para serem ultrapassadas.

“A gente acaba esbarrando em dificuldade de avançar nessas lutas, principalmente quando a decisão de avançar cabe a pessoas com poder de decisão política, representantes do povo – vereadores, vereadoras, deputados, deputadas, senadores e senadoras e até presidente, além de ministros e ministras. Por isso é tão importante veganos ocupando espaços políticos”, reforça.

Kaz cita esse exemplo tendo como referência o trabalho com o Nação Vegana Brasil, que vem se dedicando a encontrar meios de fortalecer campanhas, tanto em meio virtual quanto físico, contra rodeios, exportação de animais vivos, uso de animais em laboratórios e corridas, tração animal e também a conscientização sobre a importância de não se alimentar de animais, tanto em oposição à exploração animal quanto em benefício do meio ambiente.

“São tantas práticas absurdas”

“São tantas práticas absurdas”, avalia. Sobre o consumo de carne, a posição de Kaz Veg é de que as pessoas se acomodam em seus hábitos, mesmo quando geram impactos muito negativos – o que a ativista vegana qualifica como consequência da perpetuação de um costume fortalecido logo na infância.

No entanto, ela vê uma mudança positiva ocorrendo: “Mais pessoas vêm percebendo que seus hábitos são destrutivos, que muitas áreas de florestas estão sendo devastadas para pasto, animais que depois serão abatidos e irão parar em seus pratos em nome de um hábito desnecessário; então vem crescendo muito a conscientização.”

A fundadora do Nação Vegana Brasil também explica que é alentador ver pessoas ligadas ao movimento ambientalista reconhecendo que é incoerente defender o meio ambiente e preservar hábitos alimentares baseados na exploração animal, que é o caso do consumo de carne proveniente da agropecuária, apontada como principal causa do desmatamento no Brasil e no mundo.

“Há pessoas ligadas à proteção animal também revendo sua realidade; percebendo o quanto é incoerente defender cães e gatos e não ver problema em hábitos que financiam a exploração de outros animais. Mas acho que são nas incoerências que avançamos na conscientização, e daí a gente solidariamente, por meio de uma comunicação não violenta, se aproxima dessas pessoas.”

Como o veganismo e o ativismo entraram na vida de Kaz Veg

Catarinense de nascimento, mas vivendo em São Paulo há muitos anos (SP), a ativista vegana Kaz Veg conta que o seu primeiro contato com a realidade da exploração animal financiada por hábitos de consumo se deu por meio de um relato de que pintinhos (machos) são triturados vivos na indústria de ovos, já que são considerados descartáveis.

“Aquilo me impressionou demais. Inconformada, fui pesquisar a respeito e vi que era verdade. Me senti enganada, financiando um sistema extremamente cruel. A partir daquele momento, comecei a buscar mais informações e descobri que não eram só pintinhos, mas também outros animais; bois, vacas, bezerros, porcos, frangos, galinhas, peixes, animais em laboratórios e outros que têm suas peles arrancadas. Percebi que existe muita crueldade nisso.”

E continua: “Nossa sociedade é baseada na exploração, e aí que caí na real. Então minha vida se transformou, virou do avesso. Me vi numa outra realidade, matrix mesmo, e percebi que não bastava apenas mudar meus hábitos de consumo e a minha vida. Eu tinha de buscar a libertação dos animais, e foi aí que comecei a me dedicar ao ativismo.”

O que representam o movimento e o veganismo

Algum tempo depois, Kaz fundou o movimento Nação Vegana Brasil, que começou como um perfil em rede social, e que com o tempo ganhou as ruas e status de referência – promovendo a libertação animal e humana e a preservação ambiental.

“É um movimento que luta contra a extinção, contra a destruição. Então impulsionamos inúmeras ações virtuais, realizamos ações físicas, e isso vem crescendo e é maravilhoso”, reforça.

Kaz também faz questão de compartilhar sua percepção do que representa o veganismo:

“É um movimento de libertação e muitas outras pessoas ainda avançam e mostram que é um caminho para a justiça social. A conscientização aponta pra esse horizonte, mas a gente tem que avançar muito.”

Kaz em manifestação em São Paulo contra o PL do governador João Doria que prevê extinção de vários órgãos ambientais (Foto: Nação Vegana Brasil)

Saiba Mais

Em 2018, o Nação Vegana Brasil lançou um importante documentário sobre a realidade da exportação de animais vivos. Confira logo abaixo:

David Arioch

Jornalista e especialista em jornalismo cultural, histórico e literário (MTB: 10612/PR)

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