Opinião

Tolstói, Gandhi, Luther King, Coretta King e a não violência

“O Primeiro Passo”, de 1892, que deu origem às bases do vegetarianismo ético russo, e “O Reino de Deus está em vós”, de 1894, que traz uma abordagem espiritual não dogmática, são duas obras do escritor Liev Tolstói que tiveram grande influência sobre a juventude de Gandhi, tanto que ele fundou nas imediações de Joanesburgo, na África do Sul, a Fazenda Tolstói em 1910.

Influenciado pelos ensaios de não violência de Tolstói, que incluía animais humanos e não humanos, Gandhi se considerava um tolstoiano. A sua defesa da paz enquanto plena virtude individual e coletiva era tão conscienciosa e incondicional que ele dizia que mesmo que um dia fosse assassinado não desejaria reparação. Ainda assim, o seu assassino foi morto por enforcamento, contrariando a sua vontade.   

Martin Luther King, que visitou a Índia e teve influência de Gandhi em seu discurso contra a violência, foi assassinado em 1968 e sua esposa, a também ativista Coretta Scott King, que mais tarde adotou o veganismo como uma extensão lógica da sua luta pela não violência, jamais cogitou que a família fizesse justiça com as próprias mãos. A história mostra que há exemplos de seres humanos que viviam plenamente a não violência. Não era apenas discurso ou retórica.

Em 1942, quando ainda era uma criança, Coretta viu a própria casa ser incendiada por um grupo de brancos racistas no Dia de Ação de Graças. Apesar disso, seu pai, assim como seu avô, jamais sentiu ódio ou tentou se insurgir contra os agressores. “Seu exemplo de perdão ampliou minha compreensão de que devemos ter o compromisso de usar o amor para triunfar sobre o ódio”, ponderou.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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