Ontem (12), data em que se comemorou o Dia do Pantanal, a organização Observatório Pantanal lembrou que o bioma tem sofrido inúmeras ameaças. Em 2019, já foram registrados 6.052 focos de incêndio, com o Pantanal apresentando as maiores altas na média em relação a outros biomas, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).
Comparado aos últimos 10 anos, o aumento foi de 79% e, levando em conta os últimos três anos, o crescimento é de 81% – um percentual recorde e que gera muita preocupação.
Segundo informações do Centro de Combate aos Incêndios Florestais (PrevFogo), somente no mês de outubro 518 mil e 800 hectares do Pantanal pegaram fogo, destruindo a flora e matando animais na região.
Ainda assim, o governo brasileiro lançou o decreto Nº 10.084, que autoriza instalação da cadeia de cana-de-açúcar no Pantanal, assim como na Amazônia e em outros biomas brasileiros. Ontem (12), durante seminário na Comissão de Meio Ambiente da Câmara, o deputado federal Rodrigo Agostinho (PSB-SP) criticou a medida:
“A cana produz álcool, é um combustível limpo, mas a gente não quer ver a cana incentivando o desmatamento, incentivando o assoreamento dos rios do Pantanal.”
O coordenador do PrevFogo no Mato Grosso, Márcio Yule lembrou durante o seminário que em 2018 eles apagaram dois incêndios por dia, e 99% foram provocados por mãos humanas.
Contra o decreto do governo, o Observatório Pantanal publicou ontem (12) seu posicionamento sobre o assunto:
“Em termos de austeridade, a medida normativa jogou fora muitos recursos públicos baseados em ciência na elaboração do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar, o qual era o documento base que norteava e regulamentava a cultura da cana-de-açúcar no Brasil, elaborado com base na aptidão do solo (aptidão edáfica ou pedológica), clima (aptidão climática – risco climático) e nas características da cultura.”
Entre os riscos da exploração de cana-de-açúcar na região estão o aumento da pressão sobre os ambientes naturais por meio do desmatamento e também da degradação do solo, uso excessivo de água e contaminação das águas.
“Se, por um lado, o Governo brasileiro alega que o Decreto No 6.961 estava defasado, ou apresentando algum problema, o correto seria abrir uma ampla discussão com especialistas para fazer a atualização dita necessária e não suspender a regra por completo, de forma autoritária, e sem apresentação de embasamento técnico e transparência adequada”, lamenta a organização.
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