Notícias

Comoção fecha laboratório de testes em animais na Alemanha

Laboratório alemão ganhou os holofotes após denúncia que expõe o sofrimento dos animais utilizados em exames toxicológicos (Fotos: Spiegel/SOKO Tierschutz/CFI)

Denúncias e comoção pública realmente fazem a diferença. Ontem (12), os jornais alemães NDR e Spiegel publicaram que o Laboratório de Farmacologia e Toxicologia (LPT)  anunciou que fechará definitivamente as portas da unidade de Mienenbüttel em fevereiro de 2020.

O laboratório alemão, que foi alvo de investigações da organização SOKO Tierschutz e da Cruelty Free International, ganhou os holofotes após denúncia que expõe o sofrimento dos animais utilizados em exames toxicológicos encomendados por empresas farmacêuticas, industriais e agroquímicas de diversas partes do mundo.

Em um vídeo com duração de oito minutos é possível ver animais contidos por meio de instrumentos específicos que os imobilizam e permitem que sejam abusados das mais diversas formas.

As imagens também mostram animais assustados, que tentam evitar qualquer tipo de contato humano em decorrência do estado de privação e sofrimento aos quais são submetidos de forma contínua.

“Continuaremos a fazer campanha para ver o fim de todos os testes em animais da empresa que possui outros dois locais na Alemanha. Também estamos cobrando por planos imediatos para realojar os animais que ainda estão no laboratório”, informa a CFI.

A diretora de ciência da organização, Katy Taylor, declarou que embora a conquista seja positiva, não basta que o laboratório deixe de realizar testes em macacos, cães e gatos, mas que a LPT interrompa também o uso de porcos, coelhos, camundongos, porquinhos-da-índia, peixes e pássaros em suas outras duas unidades, situadas em Neugraben-Hamburg e Löhndorf, em Schleswig-Holstein.

Vale lembrar que no dia 20 de outubro pelo menos 7,3 mil pessoas protestaram contra a realização de testes em animais em Hamburgo, na Alemanha.

Como são os testes de toxicidade?

Os testes de toxicidade envolvem envenenamento de animais como meio de avaliar se um produto químico é capaz de causar danos à saúde humana. Nesse caso, os animais são obrigados a ingerir ou inalar uma determinada substância. Ainda que os animais se sintam muito mal, eles são privados de qualquer anestesia ou medicamento que ajude a aliviar a dor.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago