Música

Há 25 anos, Propagandhi lançava música contra violência nos matadouros

“Reconheci uma forma de opressão. Agora reconheço o resto. A vida é muito curta para tornar a dos outros mais curta” (Fotos: Propagandhi/Divulgação/Tras Los Muros/Aitor Garmendia)

Em abril de 1996, a banda canadense de punk rock Propagandhi lançou o álbum “Less Talk, More Rock”. Décadas depois, a música “Nailing Descartes to the Wall/(Liquid) Meat is Still Murder” continua sendo uma de suas composições de maior destaque sobre a defesa dos direitos animais e promoção do veganismo.

“Pare de consumir animais […] Mas você não pode negar que carne ainda é assassinato. Laticínios ainda são estupro. Ainda sou tão estúpido quanto qualquer um, mas sei dos meus erros. Reconheci uma forma de opressão. Agora reconheço o resto. A vida é muito curta para tornar a dos outros mais curta”, canta Chris Hannah.

A banda fundada em 1986 é originária de Portage La Prairie, uma cidade de pouco mais de 13 mil habitantes situada na província de Manitoba. Lá, bem cedo os integrantes tiveram contato com animais em fazendas, laticínios e matadouros.

Segundo o vocalista e guitarrista Chris Hannah, viver essa realidade é uma “munição” contra quem diz que as letras da banda são “sensacionalistas”, como em “Nailing Descartes To The Wall/(Liquid) Meat is Still Murder”, em que o Propagandhi frisa que não devemos transformar nossos corpos em sepulturas vivas de tantos animais mortos para consumo.

Acreditar e praticar

Quando lançou suas primeiras músicas, o Propagandhi já defendia a importância de escrever sobre algo em que os integrantes acreditam tanto quanto praticam.

De acordo com o baixista Todd Kowalski, seria insinceridade fazer o oposto. Por isso a banda sempre se definiu também como vegana, e isso começou em uma época em que ser vegano era realmente impopular.

Afinal, o Propagandhi, que tem a defesa dos direitos animais como prioridade, assim como os direitos humanos, já tem uma história de 35 anos e sete discos lançados, o mais recente em 2017 – “Victory Lap”.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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