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Hellmann’s lança “Vegan Mayo” no Reino Unido

Maionese que faz parte do grupo Unilever divide opiniões (Foto: Divulgação)

A Hellmann’s está lançando este mês a sua “Vegan Mayo” ou “Maionese Vegana” no Reino Unido. O produto que possui selo vegano tem gerado controvérsias porque pertence ao grupo Unilever que, embora afirme que nenhum ingrediente do produto tenha sido testado em animais, nem mesmo por meio de terceirização, ainda não abdicou da realização de testes em animais em todos os seus produtos. Por isso, há quem prefira comprar produtos de outras empresas sem envolvimento com a realização de testes.

Considerando que a Unilever é proprietária de pouco mais de 40 marcas de produtos de gêneros alimentícios, de limpeza e de cuidados pessoais, e que a cada ano a multinacional compra mais empresas, há também aqueles que avaliam essa acessibilidade como a perpetuação da manipulação de uma massa consciente, mas ainda incapaz de não cair na capciosidade do mercado.

Ou seja, há uma crença de que consumir produtos de grandes empresas significa a perpetuação de um sistema que se volta à adaptação de uma nova realidade exploratória. Usando a Unilever como exemplo, há quem fale inclusive em um tipo de “veganismo de mercado” que atende aos piores interesses do capitalismo.

No entanto, há outros que fazem outra análise dessa acessibilidade – apontam a iniciativa como positiva, considerando que se trata de um produto que prova que há demanda por produtos sem ingredientes de origem animal, além de mostrar para pessoas que não são vegetarianas nem veganas que produtos de origem animal não são insubstituíveis; e que pessoas que não gostam de cozinhar mas gostam, por exemplo, de maionese industrializada, têm novas alternativas.

Outro ponto citado por quem defende esse consumo é que disponibilidade e alcançabilidade são palavras de ordem na vida de muita gente e que, em uma sociedade em que os animais ainda são vistos majoritariamente como objetos, condenar iniciativas que apresentam opções de consumo que podem facilitar o acesso ao vegetarianismo e mesmo ao veganismo podem ser contraproducentes. Nesse aspecto, parte-se da ideia de que por enquanto a acessibilidade é um importante ponto de mudança.

Em comparação com a fórmula tradicional, na “Vegan Mayo”, lançada nos Estados Unidos em 2016 e que agora chega ao mercado britânico com algumas pequenas diferenças, o uso de ovos foi substituído por óleo e amido de milho. Além disso, não possui glúten, corantes nem sabores artificiais.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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