Opinião

Os animais que matamos sofrem muito mais do que imaginamos

“Sem grito, sem choro, sem bravia resistência, está tudo bem. Eles não sofrem muito”, diriam muitos humanos, julgando os outros animais sob a obtusa perspectiva humana (Foto: Vemsteroo)

Quando um ser humano está na iminência de ser morto por algum ser de outra espécie, ele é tomado por desespero inenarrável. Tal desespero é consequência natural da impossibilidade em comunicar ao outro o que está sentindo.

Quero dizer, posso falar, gritar, verbalizar o que sinto, mas se o outro não compreender, isso será insignificante, em vão. Afinal, haverá conflito de comunicação. Então é natural que em situações como essa o sentimento de terror seja anômalo.

O outro, por não ser da mesma espécie, é visto como um arcano, um enigma apavorante que amplifica as nossas impossibilidades de sobrevivência. A morte então é axiomática, e todas as nossas emoções concorrem ao mesmo fim.

Acredito que este seja o sentimento de um animal quando é morto por mãos humanas, animais reduzidos a alimentos e outros produtos. Sem dúvida, a incapacidade de comunicar-se como nós torna tudo muito pior, abissal, atemorizante.

A certeza de que não poderá reclamar pela própria vida mimetizando a comunicação humana avulta a dor e a sensação de impotência. Creio que seja uma experiência visceral.

Por isso, o animal não humano diante da finitude sofre mais do que imaginamos, porque não apenas sabe que vai morrer enquanto quer viver, mas também por perceber que sua dor é banalizada, desconsiderada pela incapacidade de comunicar-se de forma humana, já que o código comunicativo é diferente.

“Sem grito, sem choro, sem bravia resistência, está tudo bem. Eles não sofrem muito”, diriam, julgando os outros animais sob a obtusa perspectiva humana.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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  • Inaceitável que se permita ainda o desprezo à vida e integridade física de qualquer indivíduo. Quem desrespeita uns, desrespeita outros, o que parece bem lógico, de simples dedução. Enquanto houver abuso de alguns grupos, etnias, espécies, haverá abuso de qualquer grupo de indivíduos. A Sociologia, certamente, deve enxergar com muita clareza as origens e os reflexos desta violência banalizada pela Economia.

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