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Investigação revela papel de companhia aérea no comércio global de animais silvestres

Civetas estão entre as vítimas da exploração comercial de animais silvestres facilitada pela Ethiopian Airlines (Foto: Proteção Animal Mundial)

Uma investigação concluída e divulgada esta semana pela organização Proteção Animal Mundial aponta a Ethiopian Airlines, maior grupo de aviação do continente africano, como principal culpada pelo transporte de animais silvestres explorados como animais de estimação exóticos.

“Pelo menos 3 dentre 33 remessas da Ethiopian Airlines investigadas envolviam mamíferos de alta preocupação em termos de biossegurança, incluindo civetas africanas, primatas e mangustos-do-pântano para destinos como Itália, Coreia do Sul, Tailândia e Malásia”, informa a entidade.

“Ginetas, lagartos de escama áspera (lagarto da savana), tartaruga-de-esporas-africana, lagartos-monitores-da-savana, víboras-das-árvores-verdes, camaleões e escorpiões estão entre os animais enviados com mais frequência pela Ethiopian Airlines.”

Segundo o relatório da Proteção Animal Mundial, muitos dos animais que são transportados estão ameaçados de extinção ou pertencem a espécies cujas populações selvagens são desconhecidas ou apresentam tendência de declínio populacional.

“Os animais sofrem desde a captura e são mantidos em condições cruéis, o que pode deixá-los estressados e vulneráveis a infecções ou até mesmo à morte.”

Riscos envolvendo comércio de animais silvestres

Segundo a Proteção Animal Mundial, tudo isso é impulsionado pela demanda dos consumidores que procuram por produtos de luxo, sendo um dos principais contribuintes o comércio irresponsável de animais de estimação exóticos.

“O comércio global de animais silvestres não é apenas considerado uma das principais causas do colapso do ecossistema e da perda de biodiversidade a nível global. A exploração dos animais selvagens também apresenta enormes riscos de biossegurança.”

A entidade cita que estima-se que mais de 70% das doenças infecciosas zoonóticas emergentes têm origem em animais silvestres que vivem em condições precárias ou que são submetidos a interação com pessoas. “Tudo isso cria o cenário perfeito para que os vírus sofram mutações e se espalhem para os humanos.”

No relatório, a organização faz um apelo: “As companhias aéreas devem acabar com todo o transporte de animais selvagens, seja para a exploração comercial como animais de estimação exóticos ou para outros fins. Os animais silvestres devem permanecer na natureza, onde eles pertencem.”

Saiba Mais

Duzentas espécies diferentes, incluindo 187 vertebrados, foram anunciadas como disponíveis para compra ou exportação por duas contas em redes sociais de comerciantes de animais selvagens no Togo, entre 2016 e 2020.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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