Um artigo publicado pelo Institute for Agriculture and Trade Policy (IATP), Heinrich Boll Foundation e pela Grain, intitulado “The Meaty side of Climate Change”, revela que só em 2016 a brasileira JBS, a Cargill e a Tyson Foods – as duas dos Estados Unidos, geraram mais gases do efeito estufa do que a França. As três entidades afirmam que apenas a JBS, Cargill e Tyson tiveram o mesmo impacto de todas as grandes companhias de petróleo.
Segundo a publicação, enquanto gigantes como a Exxon e a Shell têm reconhecido o seu papel nas mudanças climáticas, as indústrias corporativas de carnes e laticínios têm evitado amplamente o escrutínio. “Se quisermos evitar um desastre ambiental, esse duplo padrão deve mudar”, informa.
A IATP, Heinrich Boll e Grain destacam que em 2016 as 20 maiores empresas de carne e laticínios do mundo emitiram mais gases do efeito estufa do que a Alemanha, alertando que se essas empresas fossem um país, seria o sétimo maior emissor de gases do efeito estufa do mundo. “Obviamente, a mitigação da mudança climática exigirá o combate às emissões das indústrias de carne e laticínios”, defendem.
O artigo também enfatiza que o que dificulta a situação é que as empresas de carnes e laticínios são politicamente poderosas, e cita a prisão dos irmãos Joesley e Wesley Batista, da JBS, por corrupção no ano passado:
“A JBS é a maior processadora de carnes do mundo, ganhando em 2016 quase 20 bilhões de dólares a mais do que sua concorrente mais próxima, a Tyson Foods. Mas a JBS conseguiu sua posição com a ajuda do Banco Nacional de Desenvolvimento do Brasil [BNDES], aparentemente, e subornando mais de 1,8 mil políticos. Não é de se admirar, portanto, que as emissões de gases de efeito estufa não estejam na lista de prioridades da empresa.”
Só em 2016, a JBS, Tyson e Cargill (que recentemente foi multada em R$ 105 milhões pelo Ibama por destruir áreas de preservação permanente), emitiram 484 milhões de toneladas de gases que alteram o clima, 46 milhões de toneladas a mais do que a BP, a gigante britânica do setor de energia. “Insiders da indústria de carnes e laticínios lutam arduamente por políticas pró-produção, muitas vezes às custas da saúde pública e ambiental”, enfatiza o artigo, acrescentando que por meio de influência política essas empresas conseguem evitar as obrigações de reduzir a poluição do ar, da água e do solo – assim aumentando o lucro enquanto despejam os custos da poluição na população.
O “The Meaty side of Climate Change” também frisa que atualmente a pecuária é responsável por quase 15% das emissões globais de gases do efeito estufa – uma fatia que supera facilmente a do setor mundial de transportes.
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