Maior indústria de processamento de carne bovina do mundo, a brasileira JBS está ligada a 42.538 mil hectares de desmatamento da Amazônia e do Cerrado, segundo informações da ONG Mighty Earth, que há pouco tempo lançou o Soy & Cattle Deforestation Tracker.
O sistema de monitoramento mostra a conexão entre grandes fazendas responsáveis pelo desflorestamento e os principais frigoríficos e compradores de soja destinada à ração animal.
“O Tracker combina dados de desmatamento por satélite quase em tempo real com a pesquisa investigativa da cadeia de suprimentos fornecida pelo grupo de pesquisa [holandês] Aidenvironment”, explica a Mighty Earth.
Segundo a organização, o sistema tem permitido classificar o comprometimento dos dez maiores frigoríficos e traders de soja em relação à redução e não contribuição ao desmatamento.
“Duas gigantes do agronegócio – JBS e Cargill – são as empresas de pior desempenho, com pontuações respectivas de 1 e 25 em uma avaliação de 100 pontos possíveis”, denuncia.
A contribuição da JBS com o desmatamento já equivale a uma área do tamanho de metade da cidade de Nova York – e quase 50% proveniente de áreas ilegais, de acordo com a legislação brasileira.
Já a Cargill, dos Estados Unidos, está conectada a uma área desmatada ainda maior – 61.260 hectares da Amazônia e do Cerrado – o que equivale ao tamanho de Chicago. “A soja brasileira da Cargill e de outros traders de soja geralmente termina como ração animal para gado”, informa a Mighty Earth.
A organização vê esses números com desalento, considerando que muitas marcas globais assumiram um compromisso em 2020 de não compactuarem com o desmatamento. No entanto, continuam comprando de quem financia a prática.
“Varejistas e seus fornecedores – os comerciantes de soja e frigoríficos apresentados em nosso Tracker – continuam permitindo esses negócios normalmente”, disse a diretora da Mighty Earth, Asha Sharma.
“Nenhuma empresa apresentada no Tracker pontuou acima de 66, indicando a grande extensão de ligação dos setores de gado e soja brasileiros com o desmatamento.”
Outras duas empresas com desempenho ruim e citadas pela organização são Archer Daniels Midland Company (ADM) e Bunge – com pontuação de 47 e 31.
Vale lembrar que, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o desmatamento na Amazônia brasileira atingiu o máximo em 12 anos, e tem como principal causa a expansão descontrolada da agropecuária.
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Ainda bem que o satélite não aceita propinas.