Na pocilga, leitõezinhos são iluminados por uma luz artificial. Na impossibilidade de sair dali, eles trocam calor, sensações. São dois corpos pequenos interagindo no mesmo espaço. A cabeça de um encontra o coto do outro – o rabo ausente, mutilado.
O coto aponta para o chão e os olhos também. Há vestígios do que não se pode fazer noutro lugar, onde a vida só existe para acontecer ali dentro. A luz cobre os pequenos corpos. É como se a buscassem, como se quisessem evitar a escuridão ao lado. Por que não?
Mas a sombra também cobre parte de uma face suína e parte de outro corpo, escurecendo o coto e o limiar do dorso. A luz é também uma denúncia? Uma face não pode ser vista, porque mira a parede cinza do fundo. É a vontade de esconder-se, ocultar-se?
Há marcas na parede, no chão. São deles e não são. Não olham para cima. Porque não há nada no alto? Já me falaram que a luz na pocilga pode gerar sensação de aquecimento, de conforto, de alento. É uma ilusão de mãe?
Sentem-se cobertos por essa luz como se pudesse protegê-los. Não a encaram, não a miram, apenas deixam iluminá-los, e ficam ali, como se fossem três em vez de dois, como se a luz fosse feita de vida, uma força materna que possa afastá-los da escuridão, tão próxima e tão inevitável.
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