Notícias

Grupo lobista prioriza a defesa dos animais na França

Melvin Josse: “O objetivo é construir uma rede de aliados políticos” (Foto: Reprodução)

Fundado em 2017 pelo lobista profissional e ativista Melvin Josse, o grupo Convergence Animaux Politique (CAP) surgiu na França com o objetivo de defender os direitos animais no campo político. Em entrevista ao canal France 24 na semana passada, Josse disse que a França está ficando para trás na Europa com sua fragilizada legislação de bem-estar animal.

“Se você observar práticas envolvendo animais de fazenda, basicamente, a lei francesa nunca vai além do padrão mínimo estabelecido pela UE [União Europeia]. Nos últimos anos, muitos escândalos envolvendo matadouros e fazendas aconteceram na França. Percebemos que, com esses escândalos, a opinião pública na França está evoluindo na direção certa e as pessoas estão entendendo que os direitos dos animais é uma questão real”, declarou o lobista.

É exatamente por esse motivo que Melvin Josse, que já produziu uma tese sobre o ativismo pró-animal na Europa, defende que o trabalho do CAP, que representa hoje mais de 800 ONGs, pode contribuir para mudar os rumos da questão animal na França. Por outro lado, embora as pessoas estejam se tornando mais compassivas, o sistema político não acompanha essa realidade.

No país, as ONGs ainda esbarram na dificuldade de influenciar profundamente alguma decisão política no campo legislativo. Por isso o CAP tem trabalhado com parlamentares para engajá-los em questões de direitos animais com as quais eles mais se identificam. Se um parlamentar, por exemplo, não se importa tanto com a caça, o grupo tenta aproximá-lo da realidade dos animais nos matadouros. Há varias possibilidades, segundo o CAP.

“O objetivo é construir uma rede de aliados políticos. Trata-se de reunir o máximo de interlocutores, manter essas relações a longo prazo e colocá-los em contato uns com os outros e com as organizações, de modo a mobilizar essa rede quando for necessário obter avanços para os animais”, enfatiza Melvin Josse.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

2 semanas ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

3 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

4 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

1 mês ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

2 meses ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 meses ago