Notícias

Desfile do London Fashion Week não terá peles de animais

A pressão contra o uso de peles na semana de moda londrina começou a ganhar força em 2016 (Acervo: PETA)

Realizado desde 1984, pela primeira vez o desfile do London Fashion Week não terá peles de animais. A iniciativa não partiu do British Fashion Council (BFC), responsável pela realização do evento, mas sim dos estilistas, que decidiram não usar peles de animais e também priorizar coleções mais sustentáveis, demonstrando algum tipo de compromisso com o meio ambiente.

Porém é inegável que a pressão de ativistas dos direitos animais nos últimos anos contribuiu para que grandes grifes assumissem o compromisso de não lançar mais coleções baseadas em peles de animais. No YouTube, por exemplo, pululam vídeos que mostram a cruel realidade de visons e outros animais explorados e mortos em fazendas na América do Norte e na Europa em benefício da indústria da moda.

Atualmente, ter o seu nome associado a esse tipo de prática não é algo que agrada muitas grifes. Por isso, entre as marcas que já não lançam mais produtos baseados em peles, e outras que se comprometeram a abandonar essa prática até o final de 2018, estão Versace, Gucci, Michael Kors, Armani, Tom Ford, Vivienne Westwood, Tommy Hilfiger, Ralph Lauren, Calvin Klein e Burberry.

A pressão contra o uso de peles na semana de moda londrina, que é a primeira das mais importantes semanas de moda a não contar com peles de animais, começou a ganhar força em 2016, quando houve um aumento do número de ativistas protestando a poucos metros da Somerset House. Hoje, em matéria publicada pelo The Guardian, a diretora executiva do Conselho de Moda Britânico, Caroline Rush, confirmou que o London Fashion Week será 100% livre de peles.

Ela reconheceu também que essa é uma tendência cada vez mais crescente, com mais e mais marcas decidindo usar materiais alternativos às peles. A mais recente grife a anunciar o abandono do uso de peles foi a britânica Burberry, que vai lançar no London Fashion Week a sua primeira coleção “fur free”.

Para a organização Humane Society International, que realiza campanhas contra o uso de peles, isso é um reflexo não apenas de ações pontuais de ativismo, mas da grande conscientização de muitos consumidores que já não querem ter qualquer vínculo com esse tipo de crueldade. O London Fashion Week começa no dia 20 e termina no dia 23.

 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

4 semanas ago

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal?

Foi o fator econômico que acabou com a escravidão e levará à libertação animal? Há…

1 mês ago

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos?

O que comemoramos quando mais animais são mortos e consumidos? Em 2024, o Brasil bateu…

1 mês ago

O consumo humano transforma animais em prisioneiros de seus próprios corpos

A prisão é o corpo: além do matadouro O consumo humano transforma animais em prisioneiros…

2 meses ago

Animais, pela ética do amor ou do cuidado?

Amor ou justiça: por que a ética do cuidado é mais eficaz A premissa de…

2 meses ago

Por que não é uma boa ideia usar o termo “feito de plantas”

Pode parecer coerente usar o termo “feito de plantas” em relação a alimentos ou pratos…

2 meses ago