Quem olha para um animal criado para consumo e se questiona se ele gostaria de estar ali? Se ele gostaria de ter aquela vida, aquela imposição, aquele fim. Não fazemos isso porque conhecemos a resposta que não precisamos aguardar.
Hoje um animal é pequeno. Então crescerá e morrerá, ou morrerá e não crescerá. As duas realidades são partes do mesmo cotidiano.
É imaginável a quantidade indefinível de olhos que passam por ele que não mudam sua vida, e os olhos que nunca chegarão até ele porque não se relacionam com sua vida, mas com sua morte.
É isso. O que temos com os animais é uma relação de morte, sempre mais de morte do que vida. Vejo alguns sendo acariciados, enquanto a maioria recebe dentadas e mastigadas. Mordemos mais ou afagamos mais?
Quantos chegam irreconhecidos em nossas casas, sem vida, embalados, despersonalizados? Há uma relação que dura a vida toda em que os corpos são recebidos dentro de nós, corpos de quem não nos interessamos em conhecer a vida, as expressões, os medos, as resistências e as vontades.
Trazemos estranhamento para dentro de nós que não reconhecemos. E se olham para nós, é como se não olhássemos para eles, porque não olhamos, porque se olhamos, mudamos.
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