Passando perto de uma área onde criam porcos, alguém me disse que o problema era o mau cheiro de porco. Então fiz uma pergunta: “Mas esse é o cheiro do porco ou o cheiro imposto ao porco?” Quero dizer, naturalmente esse não é o cheiro do porco, mas é o cheiro do que está associado à realidade indesejada pelo porco.
Porcos teriam esse cheiro se vivessem outra realidade? Não são os interesses de exploração e consumo que possibilitam ou geram esse cheiro tão criticado como sendo de porco, mas sem que seja naturalmente do porco?
O julgamento sobre isso deveria ser baseado nas escolhas que o porco não pode fazer. Afinal, é comum, por exemplo, que quando há animais confinados em um espaço, onde seus excrementos se acumulam antes da remoção, eles são obrigados a entrarem em contato com esses dejetos, mesmo quando quem os cria afirma que mantém a constante higiene do local.
E mesmo quando o cheiro não tem relação com os dejetos, terá com a alimentação que também não é uma escolha do porco, e porque é uma escolha para, sem demora, matá-lo. Nada em relação ao que é afirmado pejorativamente sobre porcos surge pelos porcos, e sim pela intervenção humana, por interesses que são sobrepostos aos dos porcos.
Não há maior constância de imagens de animais sujos e que também podem parecer malcheirosos do que aquelas em que os animais estão sendo explorados para interesse humano, e porque isso reflete o que é mais comum, mesmo que, por costume ou irreflexão, não seja pensado dessa forma.
Então carece de sentido a afirmação do porco como animal fedido, assim como a do porco como animal sujo, e porque a sujeira do porco também só pode ser decorrente do tratamento imposto a ele, já que porcos evitam a sujeira, assim como seus ancestrais.
A ideia da generalização sobre animais explorados, e em que se ignora o fator exploração que possibilita sentidos pejorativos sobre o animal, e não o próprio animal, é algo a se refletir também porque é estranho como são usadas tantas atribuições negativas em referência a outros animais, e como se fossem inerentes a esses animais, e não à exploração.
Sem dúvida, isso não ocorreria senão pelos equívocos que se normaliza com o especismo.
Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…
No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…
No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…
Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…
Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…
Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…