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Medida do governo que favorece abate de vacas em final de gestação completa um ano este mês

Foto: Moving Animals

No dia 16 completa um ano que o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) publicou a Portaria nº 365, que atualiza normas e protocolos de bem-estar animal, favorecendo o abate de vacas que tenham chegado a até 90% do ciclo de gestação.

Abate de vacas prenhes consideradas “descartáveis” já era autorizado no Brasil desde 2017, por meio de uma mudança no Regulamento de Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal (RIISPOA). No entanto, não era regulamentado dentro de um protocolo de “bem-estar animal”.

Na portaria de 2021 consta que os fetos não devem ser removidos do útero antes de cinco minutos após o término da sangria da fêmea gestante; e se um feto “maduro” e vivo for removido do útero, ele deve ser impedido de inflar seus pulmões e respirar o ar.

“Se houver dúvidas quanto ao estado de inconsciência do feto, este deve ser morto mediante uso de dispositivo de dardo cativo de tamanho compatível ou com um golpe na cabeça com instrumento contundente”, sugere o Regulamento Técnico de Manejo Pré-abate e Abate Humanitário.

Vale lembrar que no Brasil até 30% das vacas leiteiras são abatidas ao ano, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Como o país tem um rebanho de vacas ordenhadas de pelo menos 16,2 milhões, isso significa mais de 4,86 milhões de vacas abatidas.

E quando isso ocorre? No Brasil a “temporada” de descarte de vacas leiteiras começa em novembro e se estende até janeiro. Mas em algumas regiões do país, e dependendo do tamanho do rebanho, pode durar até março.

Já uma estimativa do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) informa que o Brasil possui um rebanho de mais de 23 milhões de vacas utilizadas na produção leiteira e 50% dos animais que nascem nas fazendas são machos.

No total, e por ano, mais de 10 milhões de bezerros são considerados “passíveis de descarte” logo após o nascimento. Já a Associação Brasileira dos Produtores de Leite (Abraleite) estima que cinco milhões de bezerros machos nascem por ano nas propriedades de seus associados.

Ou seja, essa é a quantidade de crianças de outra espécie que podem ser separadas da mãe e mortas porque são vistas como um “colateral” da produção leiteira.

Saiba Mais

Uma vaca que poderia viver por 20 anos normalmente não ultrapassa os cinco ou seis anos quando utilizada na produção leiteira – idade em que passa a ser considerada “velha”.

 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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