Mercado

Mercado de leite de castanha-de-caju pode crescer 70% até 2028

(Foto: iStock)

Não é novidade que há mais consumidores se familiarizando com os leites vegetais. Afinal, tem se tornado mais comum encontrar pessoas que já experimentaram alguma opção não láctea.

Entre os que compõem o público interessado nesses produtos, ou que está começando a conhecer as possibilidades das leguminosas e oleaginosas com essa finalidade, há quem prefira escolher os ingredientes e preparar a sua própria bebida em casa. No entanto, outros gostam mais de comprá-la pronta. São esses que, por motivos diversas, estão impulsionando o mercado global de leites vegetais.

Em países onde o investimento em alternativas ao leite é mais elevado, e em consequência disso há mais opções, mais concorrência e mais incentivos, o consumidor médio pode não se surpreender tanto com os preços dos leites vegetais quanto aqueles que vivem realidade menos favorável.

Afinal, não é novidade que alguns países levam vantagem no aumento da popularização e de maior consumo desses produtos. No entanto, é inegável também que hoje o mercado de leites vegetais está se desenvolvendo no mundo todo.

No Brasil, por exemplo, basta compararmos a realidade atual com 5, 10, 20 anos atrás. Sem dúvida, há uma mudança em andamento e ao que tudo indica tende a acentuar-se, tornando o mercado mais competitivo e demandando melhores preços. Ou seja, que pareçam atrativos a mais consumidores.

R$ 850 milhões em 2028

Um dos reflexos dessa mudança pode ser notado em pesquisas sobre alternativas ao leite. Exemplo recente é um relatório destacando que o mercado de leite de castanha-de-caju terá um crescimento global de 70%. Ou seja, de um valor equivalente a R$ 500 milhões em 2020, o mercado pode ultrapassar R$ 850 milhões em 2028, segundo a Verified Market Research (VMR).

Sem dúvida, os valores estimados não seriam esses se os consumidores não estivessem muito mais interessados em alternativas ao leite de vaca e se o mercado não reconhecesse a importância de explorar essa mudança de hábitos como uma oportunidade.

No entanto, não é novidade também que no Brasil o preço do leite de castanha-de-caju industrializado, assim como de outras opções de leite vegetal, talvez com exceção da soja, ainda é uma barreira que interfere no desenvolvimento desse mercado.

Ainda assim, é preciso reconhecer que em qualquer parte do mundo cresce o número de consumidores desses produtos, e também por sua associação com uma opção mais saudável ou que ofereça outros atrativos e benefícios nutricionais.

À medida que tornem-se mais acessíveis e ganhem mais qualidade, sem dúvida, os leites vegetais terão mais condições de fazer até o consumidor que hoje não pensa em abdicar do consumo de laticínios a eventualmente comparar dois produtos de fontes diferentes – animal e não animal. Afinal, ele terá um motivo a mais para rever suas escolhas.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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