Categorias: Opinião

Nascem, crescem e morrem para tornarem-se comida

Acredito que poucos refletem sobre isso enquanto aguardam o açougueiro (Foto: Jo-Anne McArthur/We Animals)

Quando criança, vez ou outra, eu fazia algum comentário perto da fila do açougue. “É o lugar mais frio do mercado”, dizia para minha mãe – conta ela. Às vezes, me sentia desconfortável, mesmo sem entender.

Com o tempo, compreendi o que cada uma daquelas partes expostas na vitrine, dispostas em bandejas ou em grilhões representa de verdade, para além do romantismo da exploração animal.

Vejo pessoas nas filas, seguindo suas vidas, conversando e brincando. Acredito que poucos refletem sobre as histórias por trás daqueles pedaços de carne enquanto aguardam o açougueiro; até porque fomos condicionados a isso nos últimos séculos, e mais ainda nas últimas décadas.

É um contraste muito grande com o destino daqueles animais que têm vidas muito curtas, e logo cedo são privados do convívio familiar. Nascem, crescem numa velocidade assustadora e morrem para tornarem-se comida.

De vez em quando, alguém me diz que fulano de tal matou um animal para ser consumido em uma confraternização. Difícil não pensar que toda a vida de um animal foi resumida a algumas horas de comilança, e em um evento que celebra a amizade e o companheirismo.

Onde está esse senso de companheirismo quando esse animal é privado de conviver com os seus? Somos animais conscientes e racionais que celebram a vida com a morte.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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