Caminhando à noite refletiu sobre como o sangue dos animais está por toda parte. Não o considerou como subproduto, ainda que seja, porque o foco não era apenas esse, e sim que vivemos em uma sociedade que orgulha-se de derramar tanto sangue não humano.
“O que são essas reportagens em que o aumento do abate de uma espécie animal é citado como algo positivo? É bom matar mais? É bom explorar mais? ‘Ó, tivemos aumento de 10% do abate de espécie x em tal período em relação a tal período.’ ‘O Brasil superou tal país.’ O que há de digno em ser recordista de violência institucionalizada? Quanto mais sangue derramamos, melhor para quem? Se a indústria produz mais leite, isso é maravilhoso? Não se você for uma vaca que terá a intimidade violada para a produtificação de sua lactação.”
Observou no muro branco de um terreno baldio uma pichação em preto de um bovino caído com a boca aberta. Não poderia afirmar se estava vivo ou morto. “Mas o que é viver para um animal condicionado à servidão? Consumo, entretenimento? Morrem cedo…por prazer, divertimento…”
Lembrou de um touro que conheceu e foi descartado após três anos de rodeios. “Teve fim doloroso. Era como se já não vivesse ou nunca tivesse vivido. E viveu? Para quem? Morreu atrás de uma arena e foi deixado lá para ser descartado no dia seguinte.”
De repente, olhou ao redor e teve dificuldade de apontar para um lugar impossível de associar com o sangue dos animais. “O mundo acorda e dorme sobre a violência contra os animais. Não é apenas sobre as coisas óbvias que estão diante de nós. É sobre tudo que fazemos para o mal de quem não é humano. Posso falar agora em alimentos e outros produtos, em ingredientes, insumos e tudo o mais, e seria o suficiente?”
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