Quando uma pessoa é vegana seu posicionamento pode ser interpretado como “imposição” ao explicar sua oposição à exploração animal.
Alguém pode dizer que isso soa “impositivo”, porque tal pessoa vegana, apenas em ser vegana, é vista como alguém que é “uma expressão crítica contrária ao que o outro é em relação a hábitos de consumo e maneiras de relacionar-se com os animais”.
Assim o problema não está no discurso, e sim no que se é. Afinal, não sendo o que o outro espera, a percepção de “imposição” já surge se há um prévio antagonismo.
Mas de onde realmente vem a imposição em relação aos nossos hábitos? Seria em ser vegano e manifestar-se sobre isso, chamando atenção para a imposição da qual depende a exploração que é, por exemplo, a base do consumo de proteína animal?
O que leva tantas pessoas na infância ao consumo de carnes, laticínios e ovos, entre outros produtos de origem animal que, na ausência de questionamento, pautarão seus hábitos e predileções por toda a vida? Não é uma determinação imperativa, uma imposição?
Normalmente as pessoas não escolhem o que consumir quando estão desenvolvendo seus hábitos alimentares. Elas passam por adaptações de consumo, assim como as gerações anteriores – o que vem de uma perpétua imposição de variável aplicação.
Mas não reconhecemos como imposição em consequência da normalização. E o fato de a exploração de animais para consumo ser um imperativo coletivo predominante afasta ideias de associação com imposição – já que consome-se o que é reconhecido como de interesse comum da maioria. No entanto, como surge esse interesse senão por condicionamento que também é imposição?
A imersão nessa realidade pode dificultar vê-la de outra forma, já que as legitimações ganham associações com ideias de que existe um “consumo oficial”, que seria de produtos de origem animal, e um “consumo não oficial”, que os exclui, portanto, tende a ser visto com estranhamento e como se, pelo “caráter da diferença”, fosse a “imposição”, que é precedida pela imposição irreconhecida como imposição do “consumo oficial”.
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