Celebrado pelo povo madhesi e bihari, o Gadhimai, festival tradicional do Nepal em que 500 mil animais foram sacrificados somente em 2009, segundo a organização Humane Society International (HSI), voltou a ser realizado neste mês de dezembro em Bariyapur, a 160 quilômetros da capital Kathmandu.
Proibido em 2015, o evento de viés religioso que abateu 200 mil animais em sua última edição em 2014, atraiu má fama internacional pelo “requinte cruel de violência” em um curto período de tempo – já que o festival iniciado ontem (3) tem duração de apenas dois dias.
É inegável que o massacre de animais a céu aberto e utilizando basicamente facões permite uma associação com o absurdo e a barbárie também entre aqueles que consomem carne todos os dias. Afinal, as pessoas avaliam tal realidade considerando o que está mais próximo de suas inclinações e legitimações culturais.
Para muitos, há uma crença de que matar essencialmente para comer não é errado, como ocorre na indústria da carne, mas se a matança de animais tiver qualquer outra motivação primária a reprovação “é considerada mais aceitável” para quem rejeita tal cultura, mas endossa o consumo de animais. Ademais, o consumidor não vai ao matadouro conhecer a realidade por trás da carne que chega ao seu prato, certo?
Ainda que em sua edição mais “sanguinária” tenham sido mortos 500 mil animais no Gadhimai, incluindo aves, bovinos e caprinos, isso não se compara ao número de animais mortos para consumo, por exemplo, no Brasil, onde matamos quase 16 milhões de frangos por dia, e com a proximidade do Natal, uma celebração também de viés religioso, podemos esperar matança muito superior e mais diversificada se tratando de aves e outras espécies.
Mas, claro, sou da opinião de que o Gadhimai é um evento bárbaro que não deveria existir, assim como a matança de animais para consumo; e porque em primeiro lugar reconheço, assim como o filósofo moral Tom Regan, que o número não importa para o animal que vai ser morto, se ele for o escolhido.
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