De acordo com os dados mais recentes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), o número de focos de incêndio no Pantanal cresceu 220% de 1º de janeiro a 31 de agosto, agravando o impacto na flora e fauna regional.
O total chegou a 10.153 contra 3.165 em comparação com o mesmo período de 2019. A maior parte foi identificada no Mato Grosso – 4.215 – enquanto o Mato Grosso do Sul responde por 1.720.
“Se essas tendências se mantiverem, haverá consequências devastadoras em longo prazo devido à liberação de milhões de toneladas extras de dióxido de carbono, perda de espécies e destruição de ecossistemas vitais”, avalia a gerente do WWF-Brasil para Ciências, Mariana Napolitano.
O líder da Iniciativa Pantanal do WWF, César Sampaio, aponta que os focos de incêndios revelam a fragilidade do bioma pantaneiro. “Infelizmente, o problema com os incêndios deve persistir nos próximos dias. Dados do Inmet [Instituto Nacional de Meteorologia] traz alertas para os estados de MS e MT, de grau de severidade em perigo: a umidade relativa do ar deve variar entre 20% e 12%”, informa.
Ele também acrescenta que além dos riscos de incêndios florestais, a saúde também será afetada, já que que a baixa umidade agrava problemas respiratórios.
Segundo o WWF-Brasil, o principal motivo apontado para as queimadas recordes no Pantanal é uma estiagem severa. Nesse período do ano, em condições normais, muitas áreas pantaneiras deveriam estar encharcadas, não tomadas por vegetação seca que é alvo fácil da proliferação do fogo.
“Precisaremos nos preparar com sistemas de alerta, ferramentas de priorização, mobilização de voluntários e a criação de um aparato público de combate a este tipo de crise ambiental”, defende o engenheiro florestal Cassio Bernardino, analista de conservação do WWF-Brasil.
“Estudos da Embrapa Pantanal indicam uma concentração de chuvas em períodos cada vez menores, enquanto pesquisadores da UFMT já demonstraram que sem um grande descanso [sem fogos] o bioma pode se tornar um deserto.”
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