Em vez de espaço bom para circular, uma gaiola. Em vez de um chão para ciscar, um piso de arame. É para escoar fezes e urina. É sobre comodidade. Não para a galinha.
Pés que não foram feitos para o arame sofrem. Quem tem pés para o arame? Corpo deve se adaptar. Unhas enroscam. Dor nas articulações. Claudicação. Asas não podem abrir. Prisão gera agitação.
Estresse. Galinha não reconhece galinha. Bico mutilado para não bicar até matar. Culpa é da galinha? Quatro vidas em cem centímetros. Não sentirá a capoeira. Social é dissocial.
Bota e bota. Produção cai. Muda forçada. Duas semanas sem comer. Cai penas. Voltam a crescer. Bota mais um pouquinho. Prolapso uterino. Conflito de querer e não querer.
Luz lá fora é desconhecida. Um dia teve curiosidade. Desapareceu a vontade. Agora pode conhecer. Pernas para cima. Vê tudo invertido. Enfiam numa caixa.
Mais um aperto. Calor. Penas ficam molhadas. Hiperventila. Pés arranham o plástico até sangrar. Ninguém vê. Ou vê sem ver. Já não existe. Carne não fica longe dos últimos ovos.
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