Cientistas especializados em clima apresentaram no domingo (22) um relatório que expõe de que forma, nos últimos anos, o aquecimento global, o aumento de nível dos mares, a diminuição das geleiras e a poluição por carbono aceleraram.
O relatório, apresentado durante Cúpula de Ação Climática das Nações Unidas na segunda-feira (23), destacou a disparidade crescente e evidente entre os objetivos e a realidade do combate às mudanças climáticas.
O documento, elaborado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM), inclui detalhes sobre a situação do clima global e apresenta tendências das emissões e concentrações atmosféricas dos principais gases que contribuem para o efeito estufa.
Entre outras conclusões, o relatório afirmou que o acelerado derretimento das geleiras e os consequentes aumento do nível dos oceanos e eventos climáticos extremos são responsáveis pelo aumento recorde da temperatura média global, que está 1,1°C acima dos níveis pré-industriais (1850-1900) e 0,2°C mais quente do que no período de 2011-2015.
O documento destacou a urgência de transformações socioeconômicas fundamentais e ações de controle das emissões de CO2 em setores essenciais para evitar um aumento perigoso da temperatura global, que pode ter impactos potencialmente irreversíveis. O relatório também analisou ferramentas para apoiar tanto a atenuação quanto a adaptação.
As conclusões apresentadas pelos especialistas manifestaram senso de urgência. A medida em que cresce o reconhecimento de que impactos climáticos estão ocorrendo com maior força e rapidez do que foi calculado na década passada, os cientistas apontaram que agora existe um risco real de que limiares críticos possam ser ultrapassados.
O relatório mostrou que a temperatura média global do período de 2015 a 2019 caminha para ser a mais quente de qualquer período equivalente já previamente registrado. Estima-se que o período seja 1,1°C mais quente do que nas eras pré-industriais (1850–1900).
Ondas de calor generalizadas e duradouras, incêndios recordes e outros acontecimentos devastadores como ciclones tropicais, inundações e secas tiveram um impacto significativo no meio ambiente e no desenvolvimento socioeconômico, apontou o documento.
Além disso, à medida que as alterações climáticas se intensificam, cidades ficam particularmente vulneráveis a impactos como estresse térmico, devendo desempenhar papel fundamental na redução das emissões de CO2 no nível local e global.
Neste contexto, o cumprimento das metas estabelecidas no Acordo de Paris de 2015 exige ações imediatas e abrangentes, que englobam a descarbonização complementada por medidas políticas substanciais, proteção e melhoria de sumidouros de carbono e biodiversidade, bem como o esforço para remover o CO2 da atmosfera.
“Estratégias para mitigação e a intensificação da gestão de riscos adaptáveis são necessárias daqui para frente. Nenhuma (estratégia) basta isoladamente, dado o ritmo e a magnitude dos impactos das alterações climáticas”, frisa o relatório, alertando que será necessário triplicar a ambição para frear o aumento da temperatura global em mais de 2°C acima dos níveis pré-industriais.
Os cientistas afirmaram que “apenas ações imediatas e abrangentes englobando a descarbonização profunda complementada por medidas políticas, a proteção e a melhoria de sumidouros de carbono e a biodiversidade e esforços para remover CO2 da atmosfera nos permitirão alcançar (os objetivos) do Acordo de Paris.”
“Os dados científicos e resultados apresentados no relatório representam as últimas informações oficiais deste tema. Ele destaca a necessidade urgente de desenvolver ações concretas que impeçam os piores efeitos das alterações climáticas”, disse o Grupo Consultivo Científico à Cúpula do Clima, chefiado pelo secretário-geral da OMM, Petteri Taalas, e por Leena Srivastava, vice chanceler da Escola TERI de Estudos Avançados.
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