Esta semana a organização Os Animais Importam protocolou uma ação civil pública visando impedir a “Entrada dos Carros de Lenha 2022”, que simboliza o início das Festas de Agosto em São Roque (SP), em homenagem ao padroeiro.
O evento organizado pela prefeitura e pela paróquia local é uma tradição que envolve o uso de mais de 60 bovinos puxando carros de lenha. “Sendo obrigados a usarem as chamadas cangalhas, instrumentos rudimentares de madeira que envolvem o pescoço dos bovinos para que sejam atrelados às carroças”, acrescenta o presidente da organização Os Animais Importam, Leandro Ferro.
Além da carga, o peso da cangalha sobre as cabeças dos animais frequentemente causa lesões como alterações nas vértebras da coluna cervical, lacerações na pele, dor crônica e inflamação na região dorsal, segundo a organização.
“Adicionalmente, os bois devem enfrentar subidas e descidas íngremes pelas vias da cidade, independentemente das condições climáticas que, no caso de chuva ou sol intenso, pode dificultar a consecução do percurso. E ainda o fazem na presença de milhares de pessoas, que inevitavelmente causam incômodo visual e auditivo
(fogos de artifício, alto-falantes, buzinas, gritos, grande movimentação), de modo a provocar estresse físico e psíquico nos animais”, destaca Ferro.
“Por reconhecer como ultrapassados e cruéis eventos que ainda se apoiam na
exploração animal para gerar entretenimento, a ONG Os Animais Importam, amparada por
diversos protetores e ativistas, pleiteia, em juízo, o fim dessa atividade.”
Leandro Ferro ressalta que “os animais não vivem para proporcionar divertimento aos humanos, e não podem ser tratados como meros objetos recreativos em
“festividades” que remontam ao século 19.
A associação argumenta que o direito de manifestação cultura não pode se sobrepor ao bem-estar dos animais. “Em que pese a história e a tradição das Festas de Agosto na
cidade de São Roque, estas não podem servir como justificativas para que se perpetuem os
maus-tratos. O entretenimento e o lazer humanos não devem e não podem, sob nenhuma hipótese, se dar às custas da saúde dos animais não humanos, posto que estes têm sua dignidade garantida constitucionalmente.”
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