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ONG explica por que não devemos apoiar shows e passeios com elefantes

“A sela e o peso dos passageiros podem causar dor e ferimento. Eles também não são fisicamente feitos para ficar nas patas traseiras, como fazem nos espetáculos” (Fotos: Proteção Animal Mundial)

Há pessoas que acreditam ou dizem acreditar que não há nada de errado em shows e passeios com elefantes. Normalmente, elas alegam que há maneiras de oferecer “entretenimento ou turismo responsável” envolvendo esses animais.

No entanto, segundo a organização Proteção Animal Mundial, isso é um grande equívoco. Acreditar que elefantes que nascem em cativeiro não são selvagens já é um erro, de acordo com a entidade.

“Domesticado significa que uma espécie foi seletivamente criada por humanos por muitas gerações para ter características físicas e comportamentais específicas. No caso dos elefantes, mesmo os que nascem em cativeiro ainda são selvagens.”

E exatamente por terem essas características tão latentes é que os elefantes explorados para passeios ou espetáculos são submetidos a treinamentos cruéis em que o objetivo é controlá-los.

“Esse método [de controle], chamado ‘the crush’, envolve restrições físicas, de comida e água, além de, em muitos casos, dor intensa. É um processo extremamente estressante para os elefantes que são capturados ou nascidos em cativeiro.”

A Proteção Animal Mundial também alerta que, embora os elefantes sejam grandes e fortes, suas costas não foram feitas para carregar turistas.

“É uma atividade brutal”

“A sela e o peso dos passageiros podem causar dor e ferimento. Eles também não são fisicamente feitos para ficar nas patas traseiras, como fazem nos espetáculos. Esses truques são realizados apenas porque foram treinados por meio da dor e do medo.”

E quando não estão se apresentando, é comum mantê-los acorrentados e isolados. “Isso causa estresse e comportamentos não naturais, como mover compulsivamente a cabeça de um lado para o outro. Isso porque os elefantes são animais inteligentes e sociais e não têm suas complexas necessidades atendidas ao serem explorados para o entretenimento”, explica a organização.

A Proteção Animal Mundial também alerta que como as taxas de reprodução de elefantes em cativeiro são baixas, para atender a indústria do entretenimento é comum recorrer à captura de animais na natureza.

“É uma atividade brutal. Há cada vez mais relatos de mães e tias elefantas que são mortas durante a caça de elefantes jovens. Isso é uma grande ameaça para a população de elefantes asiáticos selvagens, que diminuiu drasticamente no último século.”

A melhor forma de não contribuir com isso é não incentivando ou participando de passeios ou qualquer tipo de turismo ou entretenimento com esses animais.

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David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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