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ONG internacional registra em vídeo triste realidade por trás do bacon

“Como indivíduos sencientes e conscientes deste mundo, eles têm direitos morais à vida e à liberdade”, defende a organização (Imagens: Wake/Divulgação)

Gaiolas de gestação, expressões viscerais de descontentamento, gritos que parecem de crianças agonizando, incapacidade de se mover e de ter contato íntimo com os próprios filhos; e estresse crônica que culmina em mordidas nas grades de metal.

Este é o cenário registrado pela ONG internacional Wake em seu novo vídeo concluído em agosto sobre a triste realidade de porcos criados para consumo na Irlanda, assim como ocorre em diversos outros países. Enquanto alguns porquinhos mamam desesperadamente, os natimortos são deixados ao lado, como se fossem carcaças que jamais tivessem representado vidas; como se não significassem nada.

Incapazes de deixar o espaço reduzido em que estão confinadas, as porcas acabam por urinar e defecar onde comem e dormem, e até mesmo sobre os filhos já falecidos. O vídeo também revela como os pequenos suínos lutam pela vida, mesmo em um cenário extremamente desolador que inspira morte por todos os lados.

Aqueles que nascem com alguma doença ou malformação frequentemente são mortos. Na Irlanda, por exemplo, a legislação não impede que porquinhos nessas condições sejam agarrados pelas patas traseiras e tenham suas cabeças esmagadas contra uma superfície bem dura, segundo a organização Wake.

A prova disso é confirmada por meio de cenas que mostram ainda bebês suínos arremessados em latas de lixo, depois de mortos.  Além disso, o confinamento tem um grande impacto psicológico nas porcas.

“Elas revelam inquietação, frustração e ‘lutam’ continuamente contra as gaiolas mordendo as barras de metal [que impedem qualquer tentativa de fuga]”, informa. Muitos suínos também são mantidos no escuro por longos períodos e, quando se sentem muito incomodados, se debatem dentro das gaiolas. A luta contra o confinamento gera ferimentos, úlceras e infecções.

De acordo com a Wake, a intenção é mostrar ao público as violações cotidianas enfrentadas pelos animais criados para consumo, e que isso é um retrato do que a indústria da carne não aborda em suas propagandas. “Como indivíduos sencientes e conscientes deste mundo, eles têm direitos morais à vida e à liberdade”, defende a organização.

Saiba Mais

O vídeo é resultado de investigações realizadas em 2018/2019.

 

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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