Ovos e aves na caçamba enferrujada. Podridão e morte. Pés virados para cima. Apontam para a saída. Corpos cobertos por outros corpos. Cascas e gemas. Ninguém vai comer. Não porque não pode, porque não dá.
Tem marcas de pés nas laterais da caçamba. Galináceos descartados vivos? Moribundos? Brincaram com pés mortos e deixaram assinatura? Granja é ao lado, onde a morte divisa com a vida. Ou a vida divisa com a morte?
Que vida? Não encontro uma cabeça na caçamba. Sumiram? Esconderam pra ninguém ver? Onde estão as cabeças? Peito arroxeado, sem penas. Carne exposta recebe cascas de ovos. Tem simbologia. Ovo vem da carne.
Gema e clara escorrem pelo corpo sem vida, pelas partes internas e secam. Grudam na carne, nos órgãos e formam película que brilha. É o preço. Ovo vem da carne. Sim, ovo vem da carne. Logo chegam mais? Chegam.
Mais pés apontam para cima. De novo. A saída. E como sair? Gema e ovo escorrem pelos pés. Cascas partidas. Cascas destruídas. Ovos podres que se quebram com a fragilidade que falta e não falta aos corpos.
Quantos ovos até morrer? Caçamba não tem hora de fechar. Nem tampa. Pode chegar? É só chegar. Sem parar. Não para mesmo. Não é a carne que vem do ovo? Aponta para o matadouro. Aponta para a caçamba. Ovo e ave, ave e ovo.
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