Notícias

Padre João defende na Câmara menos agrotóxicos e mais agroecologia no Brasil

“Os dados são alarmantes. Comemos veneno, bebemos veneno e respiramos veneno” (Foto: Agência Câmara/Getty)

Na semana passada, durante audiência pública da Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara dos Deputados, Padre João (PT-MG) defendeu menos agrotóxicos e mais agroecologia na produção de alimentos no Brasil.

O deputado disse que o país é o campeão mundial no uso de agrotóxicos e que algo deve ser feito com urgência para reverter esse quadro. “O veneno não está só no alimento. Ele contamina as águas, os rios e o lençol freático. Os dados são alarmantes. Comemos veneno, bebemos veneno e respiramos veneno”, criticou.

E acrescentou: “Temos que mudar nosso jeito de produzir, respeitando o meio ambiente, as águas e as florestas. Chega de veneno. Temos que ter uma cultura diversificada, agroecológica e orgânica. É mais saúde e vida para todos.”

Representando a Associação Brasileira de Agroecologia, Murilo Mendonça classificou como alarmante os resultados apresentados pelo estudo “Por Trás do Alimento”, concluído e divulgado em abril pelas organizações Agência Pública, Repórter Brasil e Public Eye, que apontou que foram encontrados resíduos de agrotóxicos na água consumida por moradores de 1,3 mil cidades brasileiras, incluindo São Paulo e Rio de Janeiro.

Entre os agroquímicos mais agressivos e criticados durante a audiência está o glifosato, com índice de uso cinco mil vezes maior do que o permitido. Também houve comparação entre o crescimento de novas marcas de agrotóxicos circulando no mercado nacional. Só este ano e até a metade de abril, o número de registros de marcas de agrotóxicos no Brasil já subiu para 197.

De acordo com o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), o país tem hoje 2.263 agrotóxicos no mercado e que somam uso anual superior a 500 mil toneladas. Este ano o órgão deve iniciar um novo programa de análises, incluindo também amostras de origem animal.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

Posts Recentes

O bezerro no prato e o som de tripa de carneiro

Em “O Polonês”, seu mais recente romance publicado no Brasil, o escritor sul-africano J.M. Coetzee,…

2 semanas ago

O abate que (quase todos) ignoram

No livro “A Idade do Ferro”, de J.M. Coetzee, que se passa durante os últimos…

3 semanas ago

Uma reflexão sobre a violência por trás do leite

No filme belga “O Jovem Ahmed”, dos irmãos Dardenne, Ahmed (Idir Ben Addi), após cometer…

4 semanas ago

Por que ser cruel com os animais?

Quando se aceita que não há crueldade no que se faz contra os animais, como…

1 mês ago

Ser vegano “é coisa de mulher”?

Ser vegano “é coisa de mulher”? Autoras como Carol J. Adams trazem contribuições para pensarmos…

2 meses ago

Uma crítica ao “veganismo de mercado” a partir do pensamento de Habermas

Estudado em escolas de comunicação social do mundo todo e falecido recentemente, o filósofo e…

3 meses ago