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Painéis em SP exigem da Sadia o fim das gaiolas de gestação

S de Sadia tornou-se S de sofrimento na campanha da Sinergia Animal (Fotos: Sinergia Animal/Folhapress)

Uma série de anúncios em bancas de jornais em pontos de grande circulação na cidade de São Paulo pede o fim das gaiolas de gestação. Os painéis, instalados nas avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima, são dirigidos à marca de alimentos Sadia e sua dona BRF, a maior processadora de carne suína do Brasil, e mostram a imagem de um porco com a mensagem “S de Sofrimento”.

A ONG Sinergia Animal, que coordenou a veiculação dos painéis, pede há um ano que a BRF assuma um compromisso para não permitir algumas práticas bastante controversas com os animais em suas granjas fornecedoras, incluindo o confinamento de porcas grávidas em gaiolas minúsculas.

Mesmo com uma petição hospedada na plataforma Change.org, que alcança quase 80 mil assinaturas, a empresa ainda não anunciou as mudanças solicitadas pela entidade.

“Porcas reprodutoras são praticamente imobilizadas nas chamadas gaiolas de gestação, que são tão minúsculas que os animais não podem sequer caminhar ou virar-se dentro delas. A BRF se comprometeu publicamente a tirar as porcas dessas gaiolas, mas de uma maneira parcial”, explica a presidente da Sinergia Animal, Carolina Galvani.

“Em vez de eliminar totalmente as gaiolas, a empresa permite que esse sistema de confinamento extremo ainda seja usado por até 28 dias durante os quatro meses de gravidez dos animais.”

A ONG também ressalta que estudos científicos provam que as porcas confinadas em gaiolas se machucam e sentem dores, têm problemas de locomoção e sentem frustração por serem impedidas de realizar seus comportamentos naturais, como fuçar o chão ou interagir com outros animais. “Estudos revelam que os suínos são mais inteligentes do que os cães e podem resolver problemas tão bem quanto os chimpanzés. Não é aceitável tratá-los dessa forma”, completa Galvani.

ONG pede fim do uso de antibiótico em animais saudáveis

A ONG Sinergia Animal também pede que a BRF se comprometa a não utilizar antibióticos de forma não terapêutica, ou seja, que esses medicamentos sejam usados somente para tratar animais doentes, e não administrados em animais saudáveis, prática ainda comum no setor.

O uso irrestrito de antibióticos pode contribuir para o surgimento de bactérias resistentes que contaminam os alimentos e o meio ambiente, e assim chegam aos humanos. Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que o uso irresponsável de antibióticos na medicina humana e veterinária já gera essas superbactérias, que matam mais de 700 mil pessoas por ano.

A OMS estima que, se essa tendência continuar, até 2050, 10 milhões de pessoas vão morrer por ano – número muito maior do que o de qualquer pandemia até hoje.

Clique aqui para ter acesso à petição.

David Arioch

Jornalista (MTB: 10612/PR), mestre em Estudos Culturais (UFMS) com foco em pesquisa sobre veganismo e fundador da Vegazeta.

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